Em momentos de dor, lembre-se de quem você ama

Pesquisadores descobriram que estar apaixonado não apenas alivia a dor física, como ajuda a bloqueá-la antes de chegar ao cérebro

Maria Fernanda Ziegler, iG São Paulo |

Getty Images
Cientistas afirmam que o ato de pensar na pessoa amada pode ajudar a reduzir a dor
O amor ajuda a aliviar as dores da vida, até mesmo literalmente. Estudo do departamento de anestesia da Universidade de Stanford comprovou que estar apaixonado pode inibir a dor por ativar fortemente áreas de recompensa do cérebro.

Funciona mais ou menos assim: o centro de recompensa é ativado durante experiências prazerosas, como o amor e o sexo. Em seguida, eles se comunicam com estruturas do cérebro que controlam a dor. Estas estruturas enviam mensagens à medula espinhal que bloqueia a dor antes mesmo de ela chegar ao cérebro. “O amor pode impedir que a dor se manifeste antes mesmo de ela chegar ao cérebro. É por isso que as pessoas sentem menos dor quando estão apaixonadas”, disse ao iG o professor-assistente Jarred Younger, que participou da pesquisa.

Os cientistas acreditam que este sistema fosse chave para a sobrevivência. Os animais deveriam ser capazes de perseguir metas importantes, mesmo se eles estivessem sentindo dor. “Assim, o sistema ajuda a prosseguir objetivos importantes, reduzindo as dores sentidas”, disse.

Tanto o amor, analgésicos e drogas como cocaína envolvem a mesma área do cérebro, o núcleo accumbers localizado no hipocampo e responsável pela sensação de prazer e euforia. Para comprovar a teoria, pesquisadores recrutaram 15 universitários (oito mulheres e sete homens) para participar do estudo. Cada um deles trouxe fotos de seus namorados assim como de alguém que o atraísse.

Enquanto um aparelho aquecia a mão dos voluntários - provocando dor - as fotos eram apresentadas em flashes para cada um deles. Ao mesmo tempo seus cérebros eram escaneados por ressonância magnética - para acompanhar as vias neurais de recompensa envolvidas com o sentimento da paixão. A dor era descrita como menor nas vezes em que eles olhavam para as fotos de seus namorados.


O estudo pode ajudar a produzir novos métodos para aliviar a dor. Mas é bom ter cautela antes de abandonar analgésicos e sair por aí a procura de um grande amor que alivie o mal estar. “Não há nada que podemos usar para o tratamento ainda, talvez no futuro. É possível que só o ato de pensar na pessoa que você ama pode ajudar a reduzir a dor, ou se lembrar de um tempo bom que passaram juntos”, diz Younger.

    Leia tudo sobre: neurologiaamordor

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG