Dupla de pássaros consegue sincronizar canto

Pesquisa da Universidade Johns Hopkins descobriu mecanismo no cérebro dos garrinchões permite que eles cantem em dueto

Alessandro Greco, especial para o iG |

Eric Fortune e Melissa Coleman
Garrinchão macho que participou do estudo nas florestas equatorianas: cérebro preparado para a cooperação
Realizar uma tarefa em perfeita sincronia é uma tarefa que pode ser bastante complexa – basta ver uma apresentação de nado sincronizado. Os casais de uma espécie de pássaro, os garrinchões ( Pheugopedius euophrys ), levaram essa característica a um nível inusitado, de acordo com um estudo publicado nesta quinta-feira (3) no periódico científico Science.

Liderado por Eric Fortune, da Universidade Johns Hopkins, nos Estados Unidos, o trabalho mostrou que eles cantam alternando as sílabas. O resultado é um canto único embora o macho e a fêmea estejam cantando apenas a sua parte do repertório.

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Os pesquisadores ficaram totalmente surpresos com os resultados. “Esperávamos que a fêmea tivesse a memória da parte dela e o macho da dele. O que encontramos é que a memória mais forte no macho e na fêmea era a combinação do dueto, uma performance que nenhum dos garrinchões pode realizar sozinho. Em vez de saber suas próprias partes, eles parecem feitas para cooperar,” explicou Fortune ao iG. “Em retrospecto, o resultado parece óbvio. Imagine que duas pessoas aprendam seus passos para realizar uma dança, mas nunca tenham visto seu parceiro. Quando estiveram juntos parece pouco provável que elas consigam cooperar mesmo que sejam especialistas na sua parte. Para dançar ou cooperar, em diversos contextos, é melhor se cada pessoa sabe o objetivo da cooperação”, continuou o pesquisador.

Uma curiosidade do trabalho é que os pesquisadores constataram que apenas os machos cometem erros ao cantar. Os motivos desta “falha” ainda precisam ser investigados com mais detalhe. “É bem provável que as fêmeas também cometam erros, mas que eles sejam mais sutis e que iremos descobri-los conforme conhecemos melhor esses pássaros. Nossa melhor hipótese do por que os machos erram está relacionada à seleção sexual. Imaginamos que as fêmeas estão desafiando os machos a cooperar e podem preferir aqueles que se adequam melhor ao canto. Se for isso então provavelmente as fêmeas estão levando a performance ao limite do cérebro dos machos e escolhendo aqueles que são melhores em cooperar cantando. Mas esta é apenas uma hipótese ainda”, afirmou Fortune.

Os pesquisadores gravaram o canto dos animais nas florestas de bambu próximas ao vulcão Antisana no Equador e depois comparam registros de sua atividade cerebral. Ao todo foram capturadas 1000 vocalizações divididas em 150 horas de gravação.

(Com reportagem de Denise Barros)

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