Dr. Jack, o médico-cachorro

Cão ajuda na recuperação de pacientes da Clínica Mayo, nos Estados Unidos

Natasha Madov, iG São Paulo |

Divulgação
Dr. Jack: pinscher ajuda pacientes em reabilitação oral e motora
Dos 50.000 funcionários da Clínica Mayo, em Rochester, Minnesota, o Dr. Jack é um dos mais populares. Sua ronda de visitas, de oito a dez por dia, é uma das mais aguardadas do hospital, dos sorrisos que arranca de pacientes, visitantes e equipe. Mas Jack não é exatamente um médico simpático ou um enfermeiro brincalhão, e sim um pinscher miniatura de nove anos, que ajuda na reabilitação e socialização dos doentes do hospital.

A clínica resolveu aplicar na prática estudos que mostram que o contato com animais no ambiente hospitalar diminui dor em crianças, melhora o estado de pacientes cardíacos e diminui a medicação em idosos, e Jack já ajudou na recuperação de duas mil pessoas (quatro brasileiros, entre eles), de idades que variam dos 11 meses aos 92 anos, desde que começou a trabalhar na Mayo, há sete anos. Como havia sido treinado desde filhote para ser um cão de serviço, Jack logo foi incorporado à equipe de fisioterapeutas da instituição.

“Jack trabalha com pacientes em atividades físicas, terapia da fala e recuperação de memória, além de diminuir o stress dos pacientes e da equipe médica,” explicou ao iG sua dona, Marcia Fritzmeier, terapeuta da clínica. “Jack faz suas visitas por encaminhamento dos médicos, que definem metas para que ele trabalhe com os pacientes durante a recuperação”.

Ajudando crianças
O envolvimento emocional dos pacientes com o cãozinho é um fator de cura, segundo Marcia. Um exemplo, conta, foi o de uma menina de cinco anos que sofria de dores nas pernas após uma cirurgia. “Era muito doloroso para ela andar, ela chorava a maior parte do tempo. Na fisioterapia, Jack ficava em pé na frente dela e a cada passo, ele a encorajava a ir mais longe. Ela se divertia tanto que parava de chorar e sorria. Em outro momento, quando teve problemas com o andador, Jack ficou ao seu lado, e ela ia contando os passos que ambos davam. Um momento ela parou e disse a ele: ‘Jack, eu sei que é difícil, mas nós vamos conseguir’”.

Outro caso foi o de um menininho de seis anos com tumor cerebral. Após uma cirurgia, ele não respondia a nenhum pedido da equipe médica, mas interagia com o cãozinho. “Ele tocava Jack e o seguia com os olhos, e continuou a vê-lo durante vários meses. Mesmo sem conseguir falar, ele sorria quando Jack respondia a seus sinais. Jack o incentiva a tomar seus remédios, e era o único que o menino queria ver durante a quimioterapia. Ao ir embora do hospital, sinalizou um ‘obrigado’ e disse a Jack que o amava. Não poderíamos receber um melhor presente que esse,” descreveu a terapeuta ao iG .

O sucesso gerou um livro infantil, “Dr. Jack the Helping Dog” (Dr. Jack o Cão Ajudante), distribuído nas sedes da Mayo nos Estados Unidos. O livro conta a história de Jack, traz fotos e depoimentos de pacientes e um ensaio do oncologista Edward Creagan sobre o poder de cura de animais de estimação. Por enquanto, Jack é o único cachorro-terapeuta da Mayo. A clínica estuda ampliar o serviço com mais cães, mas para isso, depende de financiamento para desenvolver um programa mais amplo.

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