Dominar uma segunda língua traz benefícios ao cérebro

Série de estudos divulgados hoje nos Estados Unidos mostram que aprender uma língua desde cedo pode até adiar o mal de Alzheimer

Por Natasha Madov, enviada a Washington |

Os benefícios em ser fluente em mais de uma língua se estendem a muito mais que melhores chances no mercado de trabalho. Segundo um grupo de estudos apresentado na manhã desta sexta-feira (18) durante a reunião anual da Sociedade Americana para o Avanço da Ciência (AAAS), em Washington, saber um segundo idioma pode até adiar o início do mal de Alzheimer.

Ellen Bialystok, professora de psicologia na Universidade York, em Toronto, apresentou os resultados de uma pesquida com 450 pacientes com Alzheimer, metade deles bilíngues, e descobriu que aqueles que falavam dois idiomas desde pequenos apresentaram sintomas da doença quatro a cinco anos mais tarde do que aqueles que falavam apenas uma língua.

O fato não previne a doença em si, mas as habilidades cognitivas dos bilíngues criam uma espécie de barreira que retarda o início do mal.

Ellen e outros pesquisadores presentes no painel à imprensa acreditam que ser exposto a uma segunda língua desde o início da vida faz com que o cérebro fique mais flexível e capaz de realizar várias tarefas ao mesmo. Isso acontece porque o cérebro "usa" as duas línguas o tempo todo, mas "desliga" a que não está sendo usada no momento. Esse exercício cria uma habilidade de controle que tende a se consolidar durante ao longo da vida.

Janet Werker, da Universidade de British Columbia, afirmou que essas habilidades podem se manifestar muito cedo, com apenas meses de idade. A professora de psicologia estuda bebês em ambientes bilíngues e em seu estudo mais recente, mostrou que a habilidade de diferenciar entre duas línguas independe dos idiomas falados pelos bilíngues.

Sua equipe examinou bebês nas Espanha que estavam aprendendo tanto espanhol quanto catalão. Sua equipe apresentava às crianças vídeos sem som de mulheres falando francês e inglês, e registraram que, com poucos meses de vida, os pequenos bilíngues já conseguiam diferenciar entre as duas línguas, ainda que não as compreendessem. Já os bebês expostos a apenas espanhol não conseguiam perceber a diferença entre entre inglês e francês. "Os bebês percebiam os movimentos faciais diferentes em cada idioma. Os franceses estão sempre fazendo biquinho, por exemplo", descreveu a psicóloga durante o painel.

Benefícios também para os adultos

Os exatos mecanismos pelos quais é tão mais fácil aprender uma segunda língua na juventude do que na idade adulta ainda não são completamente conhecidos, mas as pesquisadoras presentes no painel arriscam um palpite: "Crianças pequenas têm o luxo de só fazer uma coisa na vida, que é aprender uma língua. O cérebro adulto é bombardeado com milhares de outras demandas," disse Ellen.

Isso quer dizer que os benefícios de ser bilíngue estão restritos somente a quem teve a sorte de ser exposto a várias desde pequeno? Não, segundo as pesquisadoras. "Claro que quanto mais fluente, melhor, mas qualquer aprendizado já ajuda," disse a professora canadense. "O importante é manter o cérebro ativo".

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