Dinossauro gigante tinha mesma temperatura de mamíferos modernos

Descoberta foi feita com base em dentes fossilizados de saurópodes encontrados na Tanzania e nos Estados Unidos

Alessandro Greco, especial para o iG |

Getty Images
Análise do esmalte dos dentes dos saurópode permitiu descoberta sobre temperatura corporal destes animais gigantescos
Os dinossauros da família dos saurópodes com seus corpos enormes, pescoços e caudas longuíssimos e cabeças pequenas foram os maiores animais terrestres a habitar a Terra. Como a temperatura dos animais geralmente aumenta conforme cresce o tamanho, cientistas imaginavam que eles teriam uma temperatura do corpo bastante elevada.

A realidade, no entanto, se mostrou bem diferente, conforme mostra o artigo publicado nesta quinta-feira (23) no periódico científico Science. Uma equipe liderada por Robert Eagle, do Instituto de Tecnologia da Califórnia, descobriu que, na verdade, a temperatura dos saurópodes ficava entre 36° e 38°C, próxima a de mamíferos como os seres humanos.

Science
Dente de Camarasaurus usado no estudo
O trabalho da equipe consistiu em analisar o esmalte de dentes fossilizados de diversos saurópodes encontrados na Tanzânia e nos Estados Unidos. Mais especificamente, eles olharam a quantidade de ligações entre isótopos de moléculas de carbono e oxigênio em um mineral chamado apatita, que está presente no dente e que varia conforme a temperatura em que o esmalte do dente se forma. “Eu não tinha nenhuma expectativa em relação à temperatura que iríamos medir. Talvez nossa maior surpresa seja ter conseguido fazer a técnica funcionar e ter desenvolvido um método para medir a temperatura do corpo de um animal morto há 150 milhões de anos”, afirmou Eagle ao iG .

O valor encontrado para a temperatura é de 4° a 7°C menor do que o previsto por um modelo que faz a curva de temperatura do corpo do dinossauro versus a massa dele. O resultado mostra que possivelmente eles tinham um sistema de controle de temperatura que evitava o superaquecimento.

“Diversas teorias foram criadas para explicar como os saurópodes evitavam o superaquecimento, incluindo uma que diz que eles conseguiam dissipar calor do corpo através de um sistema interno de sacos de ar e possivelmente devido ao seu pescoço e caudas longos [que também ajudavam a dissipar o calor]. Adicionalmente eles podem ter criado adaptações no comportamento como procurar sombras na parte mais quente do dia”, explicou Eagle.

A descoberta, porém, não resolve o longo debate sobre os dinossauros serem homeotérmicos (seres capazes de controlar a temperatura do corpo em relação ao ambiente, como os mamíferos) ou poiquilotérmicos (incapazes de realizar esta função como os anfíbios). “As temperaturas que medimos nos permitem dizer que os corpos dos saurópodes eram mais quentes dos que os jacarés e crocodilos atuais, que têm uma temperatura entre 26° 30°C. Isto, porém, não significa que os saurópodes tinham uma taxa metabólica alta e produção interna de calor [características dos animais homeotérmicos], é possível que eles se mantivessem quentes devido ao fato de serem tão grandes que fosse mais fácil manter o calor. Este fenômeno é chamado gigantotermia [característico dos animais poiquilotérmicos]”, comentou Eagle.

O próximo passo do trabalho será medir a temperatura de dinossauros de diferentes tamanhos para tentar tirar esta dúvida. “Se eles [saurópodes] forem gigantotermicos é de se esperar que dinossauros menores tenham temperaturas mais baixas do que eles. Caso os dinossauros sejam que nem os mamíferos, os filhotes deveriam ter a mesma temperatura que os grandes dinossauros (como um bebê humano que tem essencialmente a mesma temperatura corporal que um adulto humano)”, afirmou Eagle.

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