Diferença do rosto do homem e da mulher diminui com os séculos

Análise da estrutura óssea de espanhóis e portugueses mostra que a face das mulheres mudou mais nos últimos 500 anos

Carlos Orsi, especial para o iG |

NCSU/Divulgação
Capacidade de discernir sexo pelo crânio poderá a ajudar na investigação de crimes
Uma pesquisa que comparou crânios humanos, espanhóis e portugueses, do século XVI a outros dos séculos XIX e XX concluiu que a estrutura facial de homens e mulheres, nessa região do mundo, ficou mais parecida ao longo da história. Foram analisados cerca de 200 crânios espanhóis, e 50 de Portugal.

A comparação, realizada por cientistas da Universidade Estadual da Carolina do Norte (EUA) e de outras instituições americanas, será publicada no periódico Forensic Science International.

O resultado mostra que a mudança mais pronunciada ocorreu na aparência feminina: a estrutura facial do crânio das espanholas de hoje é muito maior que a das mulheres do século XVI.

A principal autora do trabalho, a antropóloga Ann Ross, não descarta a possibilidade de a mudança nas feições femininas ter sido causada pelas preferências dos homens, na hora de escolher uma parceira. Mas prefere apontar outras possibilidades: “Pode ter sido o resultado de melhores condições ambientais, como nutrição. Outro fator pode ser a influência, na amostra espanhola antiga, de uma mistura moura que não é tão evidente na amostra posterior”, disse ela ao iG .

Os mouros, populações islâmicas vindas do norte da África, dominaram tanto Portugal quanto a Espanha durante séculos.

A pesquisadora afirmou, ainda, que a estrutura facial dos homens também mudou ao longo do tempo. “Mas a mudança mais marcante foi a das mulheres”, destacou, acrescentando suspeitar que essas diferenças são específicas da população estudada.

Ann diz que uma compreensão melhor das características do crânio e da face de populações de diferentes regiões do mundo poderá vir a facilitar a identificação de pessoas, principalmente quando apenas esqueletos incompletos são encontrados.

Ser capaz de afirmar, pelo crânio, se o morto era homem ou mulher pode ser útil tanto na pesquisa histórica quanto numa investigação de crime, explica a pesquisadora.

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