Diamantes revelam movimentos da Terra há 3 bilhões de anos

Estudo foi feito com base em incrustações minerais encontradas dentro de pedras preciosas

Alessandro Greco, especial para o iG |

© Science/AAAS
Close-up de um dos diamantes do estudo, proveniente de Botswana: inclusões acusam movimento das placas tectônicas
Reza o ditado que os diamantes são eternos. Uma pesquisa mostrou que além da durabilidade (eles somente podem ser derretidos a temperaturas superiores a 5.500 °C) eles também revelam os segredos do funcionamento das placas tectônicas, as responsáveis pela formação de montanhas a fossas oceânicas, e cuja movimentação causa terremotos e tsunamis.

No trabalho, publicado no periódico científico Science nesta quinta-feira (21), Steven Shirey, do Instituto Carnegie de Washington, nos Estados Unidos, e Stephen H. Richardson, da Universidade de Cape Town, na África do Sul, descobriram que essas placas passaram por uma grande transformação há cerca de 3 bilhões de anos que levou os continentes começaram a se movimentar e colidir da forma como acontece até hoje.

A análise foi feita com base em incrustações minerais dentro de diamantes trazidos à superfície por vulcões com profundidade de cerca de 200 quilômetros. Mais especificamente, os pesquisadores pegaram dados já publicados de mais de quatro mil dessas inclusões e descobriram que apenas as mais recentes, com menos de 3 bilhões de anos, tinham um tipo de inclusão chamada eclogita – sua presença é um sinal de que provavelmente as placas oceânicas começaram a pressionar por cima da placa continental e se afundaram no manto terrestre. “Não ficamos surpresos com a 'descoberta' , mas com o fato de encontrarmos um padrão tão claro nos dados analisados. O que nos surpreendeu foi que não percebemos o significado da falta de eclogitas nos diamantes mais antigos até agora”, afirmou ao iG Shirey.

Os motivos que levaram a esta transformação nas profundezas da Terra não são totalmente claros ainda, mas os autores acreditam que a chave esteja na temperatura. “Nossa hipótese é que há três bilhões de anos o manto esfriou o suficiente para que as placas tivessem movimentos maiores, deslizando mais uma em cima das outras do que era possível anteriormente”, explicou Shirey.

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