Desconforto de fone de ouvido não é só por causa do volume

Estudo mostrou que pressão dos fones aumenta vibrações sonoras, alterando o som e fazendo com que tímpano trabalhe mais

Maria Fernanda Ziegler, iG São Paulo |

Getty Images
Ao vedar os ouvidos com o fone, aumenta a pressão do som, os músculos do órgão se contraem mais e ocorre desconforto
O problema do fone de ouvido não está apenas no volume alto, e sim na pressão que ele exerce na estrutura do ouvido. Pesquisadores de uma empresa de tecnologia descobriram que o simples fato de vedar os ouvidos aumenta a pressão do som e isto faz com que os músculos do órgão se contraiam mais, provocando o que chamam de fadiga do ouvinte, a dor e o desconforto de quem passa algumas horas com fone de ouvido.

“Nós tentamos por anos baixar o volume, mas continuávamos a sentir a fadiga auditiva, mesmo nos níveis mais baixos”, disse Stephen Ambrose, que trabalhou com fones de ouvido por mais de três décadas  como músico e engenheiro de áudio. O estudo será apresentado neste sábado na 130ª Conferência da Sociedade de Engenharia de Áudio, em Londres.

Ambrose compara a fadiga do ouvinte ao cansaço provocado nos olhos por horas de direção à noite. "No começo não percebemos que está atrapalhando, mas depois passamos a sentir o incômodo", diz.

Usando modelos de computador, os pesquisadores descobriram que as ondas sonoras entram no canal do ouvido tampado com fones, criando uma câmara de pressão. Os dados sugerem que o aumento da pressão provoca o reflexo acústico, um mecanismo do sistema auditivo que amortece a transferência de energia do som do tímpano para o caracol da orelha interna em até 50 decibéis – limite do que é considerado poluição sonora pela Organização Mundial da Saúde. Porém, isto não protege a membrana do tímpano do excesso de vibração sonora.

Ambrose explica que é possível perceber isto simplesmente tampando os ouvidos com os dedos e falando: o som aparece num tom mais baixo e num volume menor e facilmente se percebe uma maior vibração dentro da cabeça. “Não é apenas o som é a pressão também que dá este efeito”, explicou ao iG .

“Paradoxalmente, o reflexo acústico faz com que a música alta pareça mais baixa do que é, o que faz com que as pessoas aumentem ainda mais o som dos aparelhos”, disse Samuel Guido, que também participou do estudo.

Para evitar o efeito, Stephen Ambrose, Robert Schulein and Samuel Gido, da Asius Technologies, criaram uma espécie de tímpano artificial, que pode ser adaptado a fones comuns. O adaptador feito de polímero se parece com um balão e converte a energia sonora, aliviando o tímpano e o caracol. O produto já está patenteado, mas ainda aguarda comercialização.

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