Descoberto novo tipo de vulcão lunar

Cientistas descobrem rocha vulcânica de composição inédita na Lua

National Geographic |

NASA
As setas mostram a região de Hansteed Alpha, com as regiões em vermelho e amarelo indicando a rocha de silício, nesta foto da Lua de 1967 composta com dados da LRO
Se a Lua fosse realmente feita de queijo, nós teríamos um novo sabor do laticínio para experimentar. Dados da sonda Lunar Reconnaissance Orbiter (LRO), da Nasa, revelaram um novo tipo de rocha na superfície lunar – que os cientistas dizem ser originária de um tipo de vulcão nunca antes visto no satélite.

Até agora, acreditava-se que haviam apenas dois tipos básicos de rochas lunares: basalto escuro e feldspato mais claro. Ambos teriam sido originados de vulcões que produziam lava basáltica relativamente fluida.

Mas este novo tipo de vulcão jorrou lava mais espessa, rica em sílicio, por um trecho de forma aproximadamente triangular, de aproximadamente 29 quilômetros de largura, chamado Hansteen Alpha.

Assinaturas rochosas
Este novo tipo de vulcão lunar está extinto – a última vez que expeliu lava foi há no mínimo dois bilhões de anos, segundo Timothy Glotch, professor assistente de geociências na Universidade Stony Brook e co-autor do estudo que descreve a descoberta.

Cientistas encontraram o vulcão usando um instrumento da LRO chamado Diviner, que examina a luz refletida pela superfície da lua em comprimentos de onda da metade para o fim do espectro infravermelho.

Minerais diferentes vão ter “assinaturas” particulares de luz nestes comprimentos de onda, o que permitiu à equipe mapear a composição da superfície lunar. Mas a técnica mostra apenas a quantidade de material – serão necessários mais estudos para identificar o tipo específico de rocha.

Na Terra, vulcões similares ao de Hansteen Alpha criam minerais à base de silício como quartzo, feldspato de potássio e granito – qualquer um desses poderia ser candidato à nova rocha lunar.

Os pesquisadores acreditam que bolsões da recém-descoberta rocha de silício devem ter se originado quando magma basáltico nas profundezas da Lua derreteu parte da crosta lunar, que também contém silício.

Um pouco deste novo material veio à superfície como lava, enquanto outra parte esfriou no interior lunar.
A assinatura da nova rocha também foi vista dentro e nos arredores de algumas crateras, sugerindo que quando um cometa ou asteróide atingia a lua, o impacto também liberava pedaços desta rocha de silício.

É inclusive possível que um pouco deste material já esteja na Terra. “Se você examinar o material que a missão Apollo trouxe de volta, é possível ver minúsculos grãos de granito – uma grama aqui, outra ali. As pessoas sempre se perguntaram de onde eles tinha vindo”, explicou Glotch. “O que estamos falando aqui é de vulcões inteiros feitos desta rocha. Amostras dela nos dariam uma visão completamente diferente da Lua do que aquela criadas pelas amostras da Apollo”.

    Leia tudo sobre: espaçoluavulcõesgeologia

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG