Estrela, situada na constelação de Leão, faz com que astrônomos reavaliem teoria amplamente aceita

De acordo com teoria amplamente, estrelas com massa pouco densa e quantidades pequenas de metais, como a da Constelação de Leão, não poderiam existir
ESO
De acordo com teoria amplamente, estrelas com massa pouco densa e quantidades pequenas de metais, como a da Constelação de Leão, não poderiam existir
Astrônomos descobriram uma estrela muito primitiva, que não deveria existir, de acordo com uma teoria amplamente aceita pela ciência, segundo um estudo publicado esta quarta-feira (31) na revista científica Nature.

Situada na constelação de Leão, a estrela, com massa menor que o Sol, é constituída quase que totalmente de hidrogênio e hélio, com a menos densa quantidade conhecida de elementos químicos mais pesados que os astrônomos chamam de "metais".

"Segundo uma teoria amplamente aceita, estrelas como esta com uma massa pouco densa e quantidades extremamente pequenas de metais, não deveriam existir", explicou a principal autora deste estudo, Elisabetta Caffau, da Universidade de Heidelberg, na Alemanha, e do Observatório de Paris.

"Foi uma surpresa descobrir, pela primeira vez, uma estrela nesta 'zona interdita'", acrescentou a pesquisadora, em um comunicado, evocando a necessidade de "rever certos modelos de formação das estrelas".

Segundo cosmólogos, somente os elementos químicos mais leves - hidrogênio e hélio - foram criados pouco após o Big Bang, assim como alguns traços de lítio.

Outros elementos - entre os quais o oxigênio, o carbono e o ferro - foram formados mais tarde, no coração das estrelas, e disseminados em sua explosão, de forma que cada geração de estrelas enriqueceu-se dos elementos produzidos pela precedente. Assim, a proporção de metais de uma estrela revela a sua idade.

A estrela que desafia esta teoria pode ter mais de 13 bilhões de anos.

Ela é "muito primitiva. Pode se tratar de uma das estrelas mais velhas já descobertas", declarou Lorenzo Monaco, do Observatório Europeu Austral (ESO), no Chile, onde as observações foram feitas graças ao telescópio VLT (Very Large Telescope).

Descoberta no halo em torno da nossa galáxia, esta pequena estrela com apenas 80% da massa do Sol e 20.000 vezes menos "metais" não poderia se formar na ausência do carbono e do oxigênio, que servem para resfriar a nuvem de gás inicial que se aquece à medida que se comprime.

"Quanto mais quente o gás, maior a pressão", que pode deter a dissipação da nuvem, explicou Piercarlo Bonifacio, do Observatório de Paris. Para conseguir esta compressão, "é preciso um mecanismo que possa resfriar o gás", como aquele fornecido pelo oxigênio e o carbono, capazes de fazer sair o calor, sob a forma de radiação.

Outra surpresa: como esta estrela primitiva pode conter uma taxa de lítio cinquenta vezes mais fraca que aquela do universo na época de sua formação? Segundo os astrônomos, para desaparecer, a matéria da estrela deve ter sido aquecida a dois milhões de graus.

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