Descoberta chave da imunidade de mosquitos à malária

Pesquisa feita por brasileiros mostrou que sistema imunológico do inseto combate o parasita rapidamente

Alessandro Greco, especial para o iG |

Getty Images
Anopheles gambiaie: resposta rápida do sistema imunológico ao parasita da malária
A malária é um dos maiores problemas de saúde pública da humanidade. Dados da Organização Mundial da Saúde mostram que, em 2008, houve entre 708 mil e 1 milhão de mortes causadas por ela, com 190 a 311 milhões de casos clínicos. O maior responsável por sua transmissão, a fêmea do mosquito Anopheles gambiaie , no entanto, não desenvolve a doença. A resposta está no desenvolvimento de uma resposta imunológica extremamente rápida por parte dos mosquitos ao parasita Plasmodium , logo ao primeiro contato, segundo descobriram pesquisadores liderados por Carolina Barillas-Mury, do Institutos Nacionais de Saúde, dos Estados Unidos, estudo que teve a participação também de cientistas brasileiros.

A forma como o sistema imunológico dos mosquitos reage ao invasor é similar ao que acontece com o sistema humano, segundo os pesquisadores. “Ficamos surpresos com a potencialização da resposta imune dos mosquitos.”, afirmou ao iG Luiz Carlos Alves e Fabio Brayner, do Centro de Pesquisas Aggeu Magalhães (CPqAM/Fiocruz), da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).

Eles descobriram que os hemócitos do mosquito– equivalentes no Anopheles aos leucócitos humanos -- atacam violentamente o Plasmodium dentro do intestino do mosquito e basicamente não deixam que ele se reproduza – embora isso aconteça de forma acelerada dentro de outros hospedeiros, como o homem.

E na próxima vez que o Plasmodium aparece por ali – em uma reinfecção – o sistema imunológico do mosquitose "lembra" e já sabe que hemócitos produzir para combatê-lo, tornando-o imune à doença para o resto da vida. Mais do que isso ainda: outro experimento feito por eles mostrou que a resposta imunológica foi potencializada após a transferência da hemolinfa (equivalente ao sangue) de mosquitos infectados para mosquitos sadios que depois foram submetidos à infecção. “Por isso são necessários estudos moleculares mais específicos, visando identificar os principais elementos que possam estar envolvidos na destruição do Plasmodium ”, explicam Luiz Carlos e Fabio. No futuro, esse mecanismo pode originar tratamentos mais eficazes.

A presença de brasileiros no estudo não surpreende. O Brasil é referencia mundial na pesquisa de malária e um dos maiores especialistas no tema, o parasitologista Luiz Hildebrando Pereira, chefiou durante muitos anos a unidade de Parasitologia Experimental do Instituto Pasteur, na França, antes de voltar ao Brasil e se instalar no Instituto de Pesquisa em Patologias Tropicais, em Porto Velho, Rondônia.

    Leia tudo sobre: maláriamosquitosimunidade

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG