Descoberta a predisposição genética ao câncer de pulmão

O risco de uma pessoa ter câncer no pulmão dependeria de variações genéticas individuais, de acordo com pesquisas internacionais publicadas pelas revistas científicas Nature e Nature Genetics.

AFP |

Para um em cada dez europeus, que possui estes indicadores de predisposição, o risco de adquirir câncer no pulmão é praticamente duas vezes superior em relação aos que não têm essas características genéticas.

Três estudos apontam variações associadas ao risco de câncer no pulmão situadas no cromossomo 15, apesar dos autores divergirem sobre se esta é ou não uma relação direta com a dependência à nicotina.

"O fumo é responsável por 9 em cada 10 casos de câncer no pulmão, mas essas pesquisas mostram que certos fumantes têm ainda mais risco de adquirir esse tipo de doença devido ao seu perfil genético", comenta um especialista britânico, o dr. Lesley Walker.

"Esses resultados poderão abrir novos caminhos para desenvolver e melhorar os tratamentos", diz Paul Brennan, do Centro Internacional de Pesquisa sobre o Câncer da OMS (CIRC).

"O risco atribuído a esse bloco de indicadores representa 15% dos cânceres de pulmão", indica à AFP Mark Lathrop, diretor científico da fundação Jean Dausset e diretor do Centro nacional de Genotipagem (França).

"Ou seja, há outros indicadores a se procurar", acrescenta este co-autor do estudo de um consórcio internacional que reúne 19 países e o CIRC/Iarc (Lyon, França) publicado pela Nature esta semana.

Esse consórcio analisou quase 300.000 variações genéticas dividas sobre o conjunto dos cromossomos em mais de 10.000 pessoas, a metade atingida de câncer pulmonar.

De acordo com as pesquisas, o risco de câncer no pulmão é quase duas vezes superior (risco relativo 1,8) nas pessoas que possuem certas variações sobre as duas cópias do cromossomo 15, ou seja, um em cada 10 europeus, comparando com aquelas que não possuem essas variações associadas à doença.

A região do cromossomo 15 identificada por estes estudos contém vários genes de receptores de nicotina que poderiam desempenhar um importante papel na formação do câncer, favorecendo a fixação da nicotina sobre as células, assim como de outros produtos tóxicos.

Segundo outra hipótese, apoiada pela pesquisa da empresa privada deCODE (Islândia), é a predisposição à dependência de tabaco que favoreceria o consumo e por conseguinte o risco de câncer.

BC/fb

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