Depois de fazer uma escolha, lave as mãos

Psicólogos americanos descobriram que o ato ajuda a remover sentimentos ruins ligados a decisões difíceis

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Se você quer clarear a mente após fazer uma escolha difícil, lave as mãos, mandam os cientistas.

Fora a higiene em si, o simples ato de lavar as mãos parece “limpar” as decisões que deixam a pessoa em conflito, disse Spike W.S. Lee, doutorando em psicologia e coautor do estudo, feito na Universidade de Michigan.

Depois de tomar decisões complicadas, as pessoas tendem a justificá-las para se sentir melhor, Lee explicou. “Você quer sentir que fez a escolha certa, então você se justifica pensando nos aspectos positivos da decisão,” diz. O processo é chamado de dissonância pós-decisional. Mas quando as pessoas lavam as mãos após fazer suas escolhas, não houve a necessidade inconsciente de racionalizá-las. “A experiência física influencia de fato a experiência mental”.

Virando a página
Para comprovar a hipótese, Lee e o coautor Norbert Schwarz pediu que estudantes da universidade participassem do que, em tese, seria uma pesquisa de mercado.
Um grupo de 40 alunos teve que classificar dez CDs em ordem de preferência. Depois, foi oferecido a eles um presente: eles poderiam levar consigo o quinto ou o sexto disco, na ordem de sua preferência.

Depois de fazerem sua escolha, alguns alunos optaram por avaliar um sabonete líquido, ao usá-lo para lavar as mãos, enquanto outros apenas olharam para o frasco.

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O ato de lavar as mãos "limpa" a mente das consequências de decisões difíceis

Os alunos que não lavaram as mãos posteriormente avaliaram melhor o CD escolhido do que anteriormente – um exemplo clássico de dissonância pós-decisional. Mas os alunos que lavaram as mãos continuaram classificando os CDs da mesma maneira que antes.

Os pesquisadores repetiram a experiência, desta vez pedindo aos voluntários que escolhessem uma geléia sem saboreá-la antes. Quem não usou um lenço antisséptico esperava que a geléia escolhida ser mais gostosa do que a rejeitada. Quem usou o lenço acreditava que ambas seriam parecidas.
“É como se lavar as mãos, da maneira que seja, ‘vire a página’ e retire os sentimentos residuais e racionalizações associados à escolha,” explicou Lee.

Psicologia das meias sujas
Agora, os pesquisadores querem descobrir se este fenômeno psicológico se estende em outras questões de limpeza. “Existem esportistas que têm as tais “meias da sorte”, que não lavam jamais. Porque isso acontece?” pergunta o psicólogo. “Talvez exista uma ideia que partículas positivas de sorte não devem ser removidas”. O estudo de Lee e Schwarz será publicado na edição desta semana da revista científica Science.

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