Degelo revela técnicas de caça pré-vikings

Arqueólogos não estão dando conta de recolher todos os objetos que surgem nas montanhas europeias por causa do aquecimento global

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Arqueólogos marcam localização de artefatos vikings com GPS: degelo traz novas descobertas
A mudança climática está expondo equipamentos para a caça de renas que foram usados pelos ancestrais dos vikings, e os arqueólogos não estão dando conta de recolher os objetos que vão surgindo com o degelo nas montanhas mais altas do norte da Europa.

"É como uma máquina do tempo (...). O gelo não era tão pequeno havia muitíssimos séculos", disse Lars Piloe, cientista dinamarquês que comanda uma equipe arqueológica 1.850 metros acima do nível do mar, na parte central da Noruega.

Bastões, arcos, flechas e até um sapato de couro de 3.400 anos estão entre os achados realizados desde 2006 no degelo dos montes Jotunheimen, onde viviam os "Gigantes do Gelo" da mitologia nórdica.

Conforme a água escorre das neves de Juvfonna, Piloe e dois colegas recolhem bastões que provavelmente eram enfileirados há 1.500 anos para guiar as renas até os arqueiros.

Mas os arqueólogos correm contra o tempo, pois muitos objetos estão se perdendo em meio à água do degelo. "Há muitas manchas de gelo. Só podemos cobrir algumas", disse Piloe.

Descongelada, a madeira apodrece em poucos anos. Mas materiais ainda mais raros, como penas (usadas nas flechas), a lã ou o couro, viram pó em questão de dias se não forem levados a um laboratório e guardados num congelador.

Jotunheimen é excepcional porque muitas descobertas estão aparecendo ao mesmo tempo - 600 artefatos só em Juvfonna.

Outras descobertas ocorreram também em geleiras ou no "permafrost" do Alasca à Sibéria. O "Otzi", homem morto por uma flecha há 5.000 anos, foi achado em 1991 numa geleira dos Alpes italianos. "Múmias do Gelo" já foram descobertas nos Andes.

Patrick Hunt, da Universidade Stanford (Califórnia), que está tentando descobrir por onde o general cartaginês Aníbal invadiu a Itália com elefantes no ano 218 a.C., disse que há uma "alarmante taxa" de degelo nos Alpes.

"Este é o primeiro verão desde 1994, quando começamos as nossas escavações alpinas de campo acima de 8.000 pés (2.438 metros), que não fomos inundados por nem um só dia de chuva, granizo ou neve", disse ele.

O recuo das geleiras dos Andes aos Alpes é provavelmente um efeito colateral da mudança climática global provocada por emissões humanas de gases do efeito estufa, segundo cientistas da ONU.

Na Noruega, "alguns campos de gelo estão no seu mínimo em pelo menos 3.000 anos", disse Rune Strand Oedegaard, especialista em geleiras e "permafrost" na Universidade Gjoevik, da Noruega.

A parte da frente do Jovfunna recuou 18 metros no último ano, expondo uma faixa de artefatos provavelmente da Idade do Ferro, 1.500 anos atrás, segundo datações de radiocarbono. Outros podem ser da época dos vikings, há 1.000 anos.

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