Curiosity: em busca dos elementos da vida em Marte

Entenda o que novo jipe-robô da Nasa vai pesquisar na superfície do planeta vermelho

The New York Times |

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Ilustração mostra como o Curiosity irá pesquisar o solo marciano
O que produz o gás metano detectado no rarefeito ar marciano? A luz solar desintegra as moléculas de metano com facilidade, de modo que as emissões de metano são todas recentes.

Será que o gás se origina de algo vivo? Há seres que vivem sem oxigênio e também produzem metano.

A Nasa, Administração Nacional da Aeronáutica e do Espaço americana, pode obter respostas para essas perguntas em breve. Uma nave espacial chamada Laboratório Científico de Marte foi lançada de Cabo Canaveral, na Flórida, no dia 26 de novembro, e vai chegar a Marte em agosto de 2012. Ela vai levar até lá um veículo do tamanho de um SUV, chamado Curiosity, que carrega um dispositivo capaz de detectar metano no ar. Se o experimento for bem-sucedido, vai despertar entusiasmo em relação à possibilidade da existência de formas de vida em Marte.

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"Marte tinha condições favoráveis ao surgimento da vida -- e ponto final", disse Michael J. Mumma, cientista da NASA, que atua no Centro de Voos Espaciais Goddard, em Greenbelt, Maryland. Mumma liderou uma das três equipes que fizeram afirmações ainda polêmicas sobre a detecção de metano na atmosfera de Marte.

Como Marte é menor do que a Terra, passou mais rápido por um processo de resfriamento, e provavelmente teria tido condições favoráveis à vida mais cedo. Isso levanta a intrigante hipótese de que pedaços de Marte contendo microrganismos tenham sido lançados ao espaço ao serem impactados por asteroides e aterrissado na Terra, trazendo elementos que constituíram a vida aqui.

A possibilidade da existência de marcianos alimenta há muito tempo a imaginação dos terráqueos. Mas a Mariner 4, primeira sonda espacial a zumbir em Marte, em 1965, enviou imagens não de florestas verdejantes, mas de rochas estéreis. E em 1976, duas sondas Viking da NASA analisaram o solo e o consideraram desprovido dos elementos orgânicos que constituem a vida.

"Houve uma reação negativa das pessoas que acharam que os aspectos biológicos foram superestimados e que a pesquisa ofereceu uma conclusão prematura", disse Christopher F. Chyba, astrofísico da Universidade de Princeton.

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Luz e sombra: Curiosity vai analisar condições de vida no planeta vermelho
lgumas das marcas geológicas presentes em Marte, como barrancos, leitos de lagos secos e cânions colossais, indicam um passado em que poderia ter existido água no planeta. Os últimos dois veículos da NASA que visitaram Marte encontraram provas convincentes da existência de ambientes que foram habitáveis no passado. O Curiosity vai procurar moléculas à base de carbono, como o metano, que são os elementos constitutivos da vida.

Imagens recentes da órbita de Marte mostram que ainda pode haver água, ocasionalmente, fluindo na superfície de Marte. Novos conhecimentos a respeito da vida na Terra e de como ela pode prosperar em ambientes aparentemente hostis, como as águas em ebulição localizadas perto de respiradouros vulcânicos no fundo do oceano, também fizeram com que os cientistas levassem mais a sério a hipótese de que ainda exista vida em Marte. Em 1996, cientistas anunciaram ter encontrado micróbios fossilizados em um meteorito marciano que tinha caído na Antártida. Essas alegações permanecem controversas.

Mas os experimentos que o Curiosity carrega não têm como objetivo dizer se os elementos constitutivos da vida se uniram ou não para viabilizar formas de vida. Isso é frustrante para Gilbert V. Levin, que acredita que sua experiência com as sondas Viking, 35 anos atrás, projetadas para encontrar formas de vida, de fato identificou formas de vida.

Gotas de uma solução de nutrientes contendo carbono-14 radioativo foram aplicadas ao solo marciano, e um fluxo de dióxido de carbono radioativo brotou do solo. Isso é o que se espera de microrganismos.

Para descartar a possibilidade de que um processo químico não biológico tivesse gerado o dióxido de carbono, outras amostras foram esterilizadas a 160 graus Celsius. Nenhum dióxido de carbono radioativo foi visto brotando das amostras quando as gotas de nutrientes foram aplicadas, o que confirma a hipótese de que o calor matou os micróbios marcianos. Se um processo não biológico estivesse em jogo, o dióxido de carbono radioativo teria sido detectado também após a esterilização.

Outros experimentos das sondas Viking não conseguiram detectar quaisquer moléculas orgânicas.

Contudo, em 2008, a sonda Phoenix, da NASA, encontrou substâncias químicas conhecidas como percloratos no solo marciano. O detector de moléculas orgânicas das sondas Viking aqueceu o solo para liberar elementos orgânicos. Aquecer moléculas orgânicas na presença de percloratos destrói estas substâncias; por isso, se elas realmente estavam lá, o experimento das sondas Viking pode não ter identificado sua presença.

O Dr. Levin disse que uma versão mais sofisticada de seu experimento teria como validar ou refutar definitivamente os resultados das sondas Viking.

Mas as duas missões das sondas que darão seguimento ao projeto que envolve o Curiosity _ colaborações entre a NASA e a Agência Espacial Europeia _ não planejaram fazer uma versão do experimento do Dr. Levin. O governo Obama, preocupado com orçamentos apertados, cogita cancelá-las.

"Isso prejudicaria todo o projeto de pesquisa de formas de vida em Marte, extintas ou existentes," disse Dr. Mumma. "Seria um desastre."

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