Crise global nos mercados pode abalar saúde mental das pessoas

Por Tan Ee Lyn HONG KONG (Reuters) - Chiu Hei-chun passou 50 anos lavando pratos em uma barraca de rua de Hong Kong para economizar alguem dinheiro. Perdeu as economias de uma vida inteira quando o Lehman Brothers ruiu.

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"Eu economizei isso (520 mil dólares de Hong Kong, cerca de 67 mil dólares) de pouquinho em pouquinho. Esse dinheiro serviria para mim e para a minha mulher, para pagar nossas contas de tratamento de saúde e os nossos caixões depois que morrêssemos. Dessa forma, não precisaríamos incomodar nossos filhos", afirmou Chiu, de 72 anos.

"Do total, 20 mil dólares de Hong Kong pertencem à minha mulher, e ela não conversou mais comigo. Eu costumava dormir quatro horas por noite, mas agora, depois que isso aconteceu, não estou conseguindo dormir mais nada."

A crise financeira global não afetou somente o bolso dos que pouparam. Um número maior de pessoas sofre agora de insônia, ansiedade e depressão. Para os psiquiatras, as taxas de suicídio podem aumentar.

"Há muitos casos de insônia, depressão e ansiedade. Um número maior de pessoas está deprimido por causa do dinheiro que perdeu, preocupado com a segurança de seus empregos e com a situação financeira de suas famílias", afirmou Dominic Lee, psiquiatra de Hong Kong que possui, entre seus pacientes, investidores de mercados de ações.

Segundo especialistas, a situação vai piorar muito mais quando o impacto da crise aprofundar-se e as pessoas com patrimônio menor que os de investidores começarem a ser demitidas por cortes de custos das empresas, devido a uma esperada retração do crédito.

"Se as pessoas começarem a perder seus empregos e se as taxas de desemprego elevarem-se, isso poderia ser ainda pior", afirmou Paul Yip, diretor do Centro do Jóquei Clube de Hong Kong para a Pesquisa e Prevenção de Suicídios, um instituto da Universidade de Hong Kong.

"As pessoas que perdem o emprego deparam-se com uma probabilidade seis a 30 vezes maior de se matarem", disse.

No Japão, o número de suicídios deu um salto em 1998, de 24.391 no ano anterior para 32.863 -- fato atribuído a uma onda de falências surgida depois do estouro da bolha econômica no país.

Desde então, essa taxa tem se mantido em uma média de 30 mil ao ano. Estudos mostram que o suicídio no Japão possui fortes ligações com o desemprego.

(Reportagem adicional de Isabel Reynolds em Tóquio)

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