Corpo de astrônomo morto no século 16 é exumado em Praga

Arqueólogos querem determinar causa da morte de Tycho Brache, que ajudou a fundar a astronomia moderna

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Arqueólogos iniciam em Praga a exumação do astrônomo dinamarquês Tycho Brache, morto no século 16
Tycho Brahe descobriu alguns dos mistérios do Universo no século 16 – e agora, cientistas contemporâneos querem desvendar o mistério de sua morte repentina. Nesta segunda-feira (15), uma equipe internacional de pesquisadores abriu seu túmulo em uma igreja de Praga, onde o dinamarquês está enterrado desde 1601.

As precisas observações astronômicas de Brahe, que ajudaram a fundar os princípios da astronomia moderna, são bem conhecidas e documentadas, mas as circunstâncias de sua morte aos 54 anos são mais nebulosas.

Nascido em 1546 no castelo de sua família, Brahe estava em Praga em 1601 a convite do imperador Rodolfo II, após um desentendimento com rei dinamarquês tê-lo feito abandonar seu observatório na ilha de Hven.

Sempre se imaginou que Brahe teria morrido de uma doença nos rins ou uma infecção na bexiga – e diz-se que ela foi resultado de seu receio de ir contra a etiqueta da corte ao interromper uma recepção para ir ao banheiro.

Mas exames em amostras de seus cabelos, conduzidos em 1996 na Suécia e Dinamarca – obtidos em uma exumação de 1901 – indicaram níveis incomuns de mercúrio, abrindo caminho para a teoria de intoxicação pelo metal, ou até mesmo assassinato.

Jens Vellev, professor de arqueologia medieval na Universidade de Aarhus, na Dinamarca, está liderando o grupo de cientistas. Eles têm até sexta-feira para exumar os restos de Brache e de sua esposa, que foi enterrada a seu lado três anos após sua morte, e levarão as amostras para o departamento de arqueologia do Museu Nacional Tcheco. Os resultados serão anunciados no próximo ano.

O túmulo de Brache foi levantado do chão da igreja, e os cientistas inseriram uma microcâmera para avaliar seu estado. Seus restos estavam em uma caixa de estanho de um metro, localizada a 1,6 metros abaixo da superfície.

Vellev afirmou que decidiu pedir permissão da igreja e das autoridades de Praga para reabrir a tumba porque não houve um relatório arqueológico adequado da exumação de 1901. Ele também espera conseguir amostras melhores do bigode e dos cabelos de Brache, e pela primeira vez, conseguir pedaços de ossos, que poderiam ser examinados pela primeira vez com as últimas tecnologias. “Como cientista, ele é importante para todo o mundo,” disse o professor.

Os exames vão tomografias computadorizadas, técnicas modernas de raio-x e análises atômicas. Vellev acredita que os testes vão conseguir estabelecer que os níveis de mercúrio ingeridos por Brache na suas últimas semanas de vida foram fatais, possivelmente vindos de um analgésico. “Talvez nós cheguemos perto da verdade, mas não acredito que conseguiremos uma resposta definitiva,” afirmou.

Os cientistas também estão interessados no crânio do astrônomo. Brache teve parte de seu nariz amputado durante um duelo em 1566, enquanto estudava na cidade alemã de Rostock, e o pedaço faltante foi substituído por uma placa de metal. A placa não foi encontrada em 1901, mas os exames devem conseguir determinar sua composição, provavelmente uma liga de prata com cobre, segundo Vellev.

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