Conheça Craig Venter, o pai da célula sintética

Cientista-empresário se tornou conhecido ao propor o desafio de seqüenciar (e conseguir) o genoma humano em três anos

Natasha Madov, iG São Paulo |

Craig Venter, o biólogo que chacoalhou a comunidade científica pela criação do primeiro organismo com genoma artificial , é velho conhecido do mundo da genética. Causa admiração e ódio em partes iguais, por conta de seu trabalho com genomas e de seu ego um tanto quanto inflado, respectivamente.

[]Venter nasceu em 1946 em Utah, nos Estados Unidos, mas cresceu na Califórnia. Foi mau aluno e surfista na adolescência, mas o serviço num hospital da Marinha no Vietnã fez surgir seu interesse em medicina, depois transferido para pesquisa científica. Depois da guerra, conseguiu seu doutorado, deu aulas e trabalhou em um dos centros de pesquisa mais prestigiados do país, o National Institute of Health.

Veja no infográfico como os cientistas criaram a célula sintética

Venter só ficou conhecido da grande mídia ao publicamente desafiar o Projeto do Genoma Humano, bancado pelo governo americano, dizendo que seqüenciaria o genoma humano em apenas três anos, num esforço financiado pela iniciativa privada. Criou um método de seqüenciamento rápido que, embora criticado na época por ser pouco precisado, hoje virou padrão da indústria. Venter teria dito a Francis Collins, chefe do projeto, que enquanto ele terminava o genoma humano, Collins “poderia fazer [o genoma do] camundongo.” Collins não deixou barato, e em 2000, os dois apresentaram seu trabalho ao mesmo tempo.

© AP
Craig Venter, o pai da célula sintética: um prodígio científico com tendências à auto-promoção
Em 2002, Venter foi demitido da Celera, a empresa que havia criado para seqüenciar o genoma humano, e criou um instituto próprio para seguir seu trabalho com seqüenciamento genético e a criação de genomas artificiais, sua nova obsessão.

Em 2007, publicou o primeiro seqüenciamento genético completo de um só indivíduo – o seu, é claro. Também circulou o mundo em seu iate, o Sorcerer II, imitando a famosa viagem de Charles Darwin no Beagle que deu origem à teoria da evolução. A idéia era coletar microorganismos para decodificar seu DNA e manter a maior biblioteca de genes do mundo -- e assim ajudar com seu projeto de criar organismos geneticamente customizados para suprir demandas específicas, como algas que convertam dióxido de carbono em gasolina ou diesel.

O anúncio da célula sintética, na quinta-feira, é o primeiro passo desse projeto. Só resta esperar o que Craig Venter ainda vai fazer. A história mostra que o que ele gosta de cumprir suas promessas, a qualquer preço.

A vida que veio do computador: como os cientistas criaram a célula sintética

Arte/iG

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