Condição socioeconômica da infância pode causar alteração no DNA

Estudo com 40 pessoas mostra que pobreza ou riqueza pode deixar marcas permanentes no código genético

Alessandro Greco, especial para o iG |

AP
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A condição socioeconômica na infância parece ter um papel biologicamente fundamental no desenvolvimento de uma pessoa.

Uma equipe formada por pesquisadores das universidades McGill e British Columbia no Canadá e do Instituto de Saúde Infantil na Inglaterra analisou seu papel na chamada metilação dos genes em um artigo publicado recentemente no periódico científico Revista Internacional de Epidemiologia. A metilação é um processo que determina como o DNA deve ser combinado e lido por diferentes órgãos do corpo, do coração a cérebro, passando pelo fígado.

E os cientistas chegaram à conclusão que existe sim uma correlação entre os dois fenômenos. “Ficamos surpresos que o status socioeconômico tivesse tanto impacto na metilação do DNA”, afirmou ao iG Moshe Szyf, um dos autores da pesquisa, da Universidade McGill.

Os pesquisadores estudaram o DNA de 40 pessoas com idade de 45 anos que vêm sendo acompanhadas desde que nasceram. Eles escolheram aquelas que tiveram um status socioeconômico muito alto ou baixo na infância ou na vida adulta.

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O resultado mostrou que havia uma variação muita grande na metilação entre os extremos de status socioeconômico na infância e na vida adulta. “Essa pesquisa estabelece uma relação entre fatores econômicos e a química do DNA. Ela provê um racional a nível molecular de por que processos econômicos e sociais têm tanto impacto em nossa saúde. Esperamos que ele inspire mais cientistas sociais a se interessarem por biologia e mais biólogos e médicos se interessem por estudos sociais”, afirmou Szyf.

Atualmente sabe-se que doenças como diabetes e doenças respiratórias podem ser desencadeadas na infância. A questão agora é conectar as duas pontas. Ou seja: descobrir variações de metilação estão associadas com quais doenças.

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