Concurso de cães pede exame de saúde após denúncia de deformações

Nova norma quer coibir prática de cruzar animais para obter características físicas que seriam deformidades genéticas

BBC Brasil |

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O maior concurso de beleza canina do mundo, o Crufts, passará a exigir a partir do ano que vem que os cães mais bem colocados nas suas próximas edições passem por um exame para determinar o seu estado de saúde.

A norma tem como objetivo coibir a prática de cruzar os animais para obter características físicas consideradas belas, mas que, para muitos, seriam defeitos e deformações genéticas.

Cães de 15 das raças que mais vencem o concurso – entre elas pastor alemão, são bernardo, pug e bassets – terão de ser aprovados nos exames veterinários para poder receber o prêmio e participar de outras edições das competições.

"Há 195 raças cuja participação no circuito de concursos caninos é ofuscada por uma minoria de pessoas que continua a promover cães com saúde precária ", disse a secretária do Kennel Club, que organiza o concurso, Caroline Kisko.

"Ao fazer isso, elas estão prejudicando a reputação do hobby e do resto da comunidade de concursos caninos. O Kennel Club precisa garantir que apenas os cães saudáveis saiam dos concursos de beleza canina com prêmios."

A medida, entretanto, não eximiu de críticas o Kennel Club, acusado de demorar para tomar providências contra esse tipo de prática.

Denúncia
Um documentário exibido pela BBC em 2008, intitulado Pedigree Dogs Exposed (algo como "Cães de pedigree revelados"), denunciava as deformações genéticas oriundas de cruzar os cães com parentesco próximo.

O programa mostrou cães da raça cavaliers king charles spaniel com cérebros maiores que os crânios, boxers portadores de epilepsia e uma fêmea buldogue que não podia dar à luz sem assistência.

O filme ilustrou inclusive como algumas raças de cachorro mudaram ao longo dos anos, justamente em consequência das manipulações genéticas.

"É uma pequena mudança, como sempre (acontece) como o Kennel Club", comentou, a respeito das novas regras, a diretora do documentário, Jemima Harrison, em um artigo no jornal britânico The Guardian.

"O documentário foi exibido em 2008, mas os exames só foram introduzidos quatro anos depois. É inacreditável, para qualquer um fora do estranho mundo desses concursos, que animais com problemas de saúde tão evidentes sejam premiados."

Para Harrison, as regras não impedem que animais com defeitos menos evidentes, mas potencialmente ainda mais graves, possam vencer os concursos.

Já a RSPCA, a sociedade britânica de proteção dos animais, se disse "preocupada" com o que chamou de curto alcance da medida.

Em uma reportagem do jornal The Times, um porta-voz da RSPCA disse que metade das raças mais populares possui "algum aspecto do seu corpo que pode causar sofrimento" ao animal.

"Infelizmente, alguns juízes em concursos de beleza canina simplesmente não conseguem aceitar a necessidade de negar os prêmios a cães que são visivelmente doentes", disse o presidente do Kennel Club, Ronnie Irving.

"Nem nós, que exibimos os cães, nem o Kennel Club, que supervisiona o hobby, podemos permitir que continue esse estado das coisas."

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