Com fim dos ônibus espaciais dos EUA, Rússia lidera corrida

Rússia recupera hegemonia espacial com as naves Soyuz meio século depois de ter lançado o primeiro astronauta, Yuri Gagarin

EFE |

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Expedição do 25 Soyuz: comandante russo Alexander Kaleri(abaixo) acena em lançamento em outubro de 2010, na base de Baikonur, no Casaquistão
A Rússia recuperou a hegemonia espacial após o fim da era dos ônibus espaciais americanos, que deixaram às lendárias naves Soyuz a missão de ser o único elo entre a Terra e a plataforma orbital. "As Soyuz são absolutamente confiáveis. Não há motivo para se preocupar", assegurou neste sábado à Agência Efe Vitali Davídov, subdiretor da agência espacial russa (Roscosmos).

Meio século depois da façanha do primeiro cosmonauta da história, Yuri Gagarin, as Soyuz voltam a comandar a corrida espacial, área na qual a China irrompeu com força nos últimos anos. "Não deixamos de evoluir. A segurança é a maior prioridade", ressaltou.

Davidov respondeu assim a alguns especialistas americanos que colocaram em dúvida a capacidade das Soyuz após a aterrissagem nesta quinta-feira do Atlantis, que deu fim à era dos ônibus espaciais americanos.

"As Soyuz garantem todas as necessidades da Estação Espacial Internacional (ISS). É verdade que não teremos um substituo durante vários anos e isto é uma grande responsabilidade, mas contamos com dezenas de Soyuz e cargueiros Progress em funcionamento ou em construção", afirmou.

As naves russas, que sofreram duas catástrofes em 1967 - em seu primeiro voo tripulado - e em 1971, nas quais morreram quatro cosmonautas, não sofreram nenhum acidente grave desde a queda da União Soviética em 1991. Por outro lado, 14 astronautas americanos morreram nas explosões das naves da Nasa (agência espacial americana) Challenger, em 1986, e Columbia, em 2003.

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Soyuz TMA-20 é lançadado em dezembro na Estação Espacial Internacional de Baikonur, no Casaquistão
"As Soyuz e os ônibus espaciais americanos são incomparáveis. São naves de distinta classe. Nossas naves são planejadas para a mudança e o retorno de cosmonautas, mas não para o transporte de carga, enquanto os ônibus espaciais podem levar até 30 toneladas", ressaltou.

Ônibus espacial versus naves Soyuz
Davidov considera que os ônibus espaciais são um marco na história da conquista espacial, mas lembra que sua aposentadoria é inevitável por causa de seu alto custo, já que quando o projeto nasceu há 30 anos se falou que para garantir sua rentabilidade deviam ser realizados entre dez e 15 voos anuais.

O cosmonauta soviético Vladimir Titov, que voou tanto nas Soyuz quanto no Atlantis e no Discovery, acredita que as naves russas são mais confortáveis para a decolagem, enquanto as americanas o são para a aterrissagem.

Outra diferença entre ambas é que as Soyuz podem levar apenas três cosmonautas a bordo, enquanto os ônibus espaciais podiam levar até sete tripulantes, acrescentou à agência oficial "RIA Novosti".

Por sua vez, Davidov lembrou que a URSS também desenvolveu sua própria nave nos anos 1980 (Buran) no marco da corrida espacial, mas "seu custo era muito grande e tomamos a decisão, eu acho que correta, de estacionar o projeto".

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Nave Discovery irá para museu em Washington
Ele lembrou que a Roscosmos encarregou a corporação Energuia, a fabricante das Soyuz, do desenho de uma nova nave pilotada capaz de efetuar voos interplanetários, que poderia estar pronta em meados desta década.

"Devemos estar preparados, já que as Soyuz serão o único meio de transporte para a ISS durante vários anos. Os americanos dizem que enviarão em dois ou três anos naves comerciais à estação, mas isso ainda veremos", disse.

O subdiretor da Roscosmos considerou que "felizmente" a era de confronto espacial é "um vestígio do passado" estreitamente vinculado com o antagonismo político da Guerra Fria. "Agora temos assinados vários acordos com os Estados Unidos para a mudança de seus astronautas e suas equipes para a plataforma orbital. Graças a Deus compreendemos a tempo que é melhor solucionar os problemas cooperando do que competindo", acrescentou.

Segundo ele, a Rússia quer que a China se some ao projeto da ISS, do qual participam 16 países, mas, como as decisões devem ser tomadas de maneira colegiada, por enquanto não há acordo para que o país se integre.

"Há um acordo para que a ISS opere até 2020, mas isso não significa que será encerrada nesse ano. Tudo dependerá do interesse dos participantes e de suas possibilidades técnicas", revelou.

Quanto ao turismo espacial, Davidov reconheceu que a Roscosmos por enquanto descartou seu retorno à ISS após mais de dois anos de interrupção.

"Terá que esperar cerca de dois ou três anos. A rotação agora é muito complexa. Existe a possibilidade de os turistas espaciais viajarem em uma nave adicional preparada especialmente para eles. Ainda veremos", acrescentou.

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