Cientistas usam cocaína para entender funcionamento do cérebro

Estudo feito em ratos demonstrou que efeitos da cocaína estão relacionados a uma transferência de neuroplasticidade

EFE |

Uma equipe de cientistas franceses conseguiu detectar, mediante o emprego de cocaína em ratos, um novo esquema de funcionamento do cérebro, informou nesta terça-feira o Centro Francês de Pesquisas Científicas (CNRS).

A cocaína é um estimulante muito potente que tem consequências diretas no cérebro até o ponto de bloquear a recepção de neurotransmissores que influenciam em vários processos físicos e psicológicos.

Os pesquisadores identificaram, a partir de testes realizados com roedores, uma relação entre o aumento da densidade dos espinhos dendríticos e a cocaína no núcleo accumbens, um grupo de neurônios fundamental na captação de efeitos aditivos e outros comportamentos como o medo e a tomada de decisões.

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Os cientistas bloquearam o aumento de espinhos após injetar diretamente no centro e no exterior deste grupo de neurônios anisomicina, um inibidor da síntese de proteínas.

Esta experiência demonstrou que os efeitos da cocaína se devem a uma transferência de neuroplasticidade causada pelo aumento de espinhos dendríticos do centro até o exterior do núcleo.

A inovação da pesquisa é que até o momento, segundo a nota do CNRS, não existia uma demonstração do envio de informação de centro ao exterior, enquanto, no sentido contrário, estava bem documentada.

Os resultados da pesquisa feita pelo CNRS e pela Universidade Paris Descartes (França), foram publicados na revista de medicina "PLoS One".

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