Cientistas transformam tecido da pele em células do fígado

Estudo chinês, feito com camundongos, abre a possibilidade de realizar algo semelhante com células humanas

Alessandro Greco, especial iG São Paulo |

Imagine colocar em uma sopa células da pele e elas se transformarem em células do fígado. Parece mágica, mas é uma das tecnologias que estão sendo desenvolvidas em laboratório atualmente e foi publicada nesta quarta-feira por cientistas chineses no periódico científico Nature.

Na pesquisa, feita com camundongos, os pesquisadores converteram fibroblastos (responsáveis por sintetizar, por exemplo, o colágeno da pele) em hepatócitos, as principais células do fígado e depois transplantaram-nas em camundongos com problemas no órgão. O resultado: elas repopularam o fígado e restauraram as funções do órgão, salvando da morte 5 dos 12 camundongos que as receberam (os camundongos que não tiveram os hepatócitos injetados morreram todos). “Foi a primeira vez que se conseguiu mostrar que fibroblastos podiam ser transformados diretamente em hepatócitos e, mais importante ainda, demonstrar seu funcionamento em um animal vivo”, afirmou ao iG Lijian Hui, principal autor do artigo, do Institutos Shangai para Ciências Biológicas.

Outros grupos de cientistas já haviam conseguido criar hepatócitos a partir de células-tronco embrionárias e células-tronco pluripotentes induzidas, mas o método, segundo os autores deste artigo, é um processo complicado que deve ser substituído quando uma tecnologia mais moderna chegar.

Os cientistas querem agora fazer o mesmo com células humanas. “O próximo passo da pesquisa é transformar fibroblastos humanos em hepatócitos humanos”, afirmou Hui. A capacidade de gerar essas células independente da necessidade de doadores de órgãos é uma das promessas da medicina regenerativa e também para a cura de doenças do fígado.

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