Camada intermediária entre a crosta e o núcleo irá ajudar no entendimento da evolução do planeta

Ilustração mostra a crosta e mantos terrestres abaixo dos oceanos: perfurar o manto seria equivalente a ir à Lua
Getty Images
Ilustração mostra a crosta e mantos terrestres abaixo dos oceanos: perfurar o manto seria equivalente a ir à Lua
Em 1863, o geólogo alemão Dr. Otto Lidenbrock decifrou um manuscrito de um antigo alquimista islandês no qual ele explicava como tinha chegado ao centro da terra. Fascinado, Lidenbrock e seu sobrinho Axel decidiram refazer a viagem. A história acima é a base do clássico da literatura “Viagem ao Centro da Terra”, escrito por Julio Verne no final do século XIX. Há 50 anos, um grupo de cientistas tenta realizar uma parte da história imaginada por Verne: perfurar a crosta terrestre e tirar uma amostra do manto, a camada intermediária entre crosta e núcleo do planeta.

O projeto, batizado de Mohole, ainda não conseguiu atingir seu objetivo. Até agora ninguém conseguiu cavar mais fundo que dois quilômetros na crosta oceânica, um terço do caminho para chegar ao manto no trecho mais curto, que é no meio do oceano. Para cavar mais fundo será necessário desenvolver novas tecnologias. “Perfurar pedras duras em oceanos é sempre difícil e vamos precisar fazer um buraco muito fundo e lá estará muito quente, provavelmente cerca de 300°C. Isto irá requerer novos sistemas para trazer material à superfície assim como brocas, lubrificantes e instrumentos tolerantes a calor. Também precisaremos de muito tempo, talvez 18 a 24 meses no local.”, afirmou ao iG Damon Teale, da Universidade de Southampton, na Inglaterra, um dos autores de um artigo publicado nesta quarta (23)  no periódico Nature sobre o tema.

Segundo Teale e Benoit Ildefonse, o co-autor, do texto, a tarefa pode ser completada em 15 anos, caso se consiga financiamento para a empreitada. “Será muito mais caro que uma simples expedição de perfuração porém muito mais barato que uma ida à Lua”, afirma a dupla. Para determinar o melhor local para iniciar a perfuração, três locais no Oceano Pacífico foram pré-selecionados e serão feitas pesquisas geológicas para verificar qual deles tem as melhores condições de perfuração.

Caso dê certo, o projeto não será ainda uma viagem ao centro da Terra – o coração do planeta está 2.890 quilômetros abaixo da crosta, mas já é um avanço que pode trazer novas informações sobre a história do nosso planeta. “Precisamos conhecer melhor a composição do manto para o estudo da evolução da Terra. Muito do que sabemos hoje da composição química do planeta é fruto de rochas dos cinturões de montanhas on no fundo do mar ou pedaços do manto levados à superfície por vulcões. Eles, no entanto, provavelmente não são um registro fiel da composição dos elementos que há lá no manto”, explicou Teale. 

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.