Cientistas publicam Atlas online do cérebro humano

Atlas documenta interação entre estrutura cerebral e sua bioquímica e mostra graficamente os genes trabalhando no cérebro humano

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No atlas online, a interação do cérebro humano é apresentada graficamente
Cientistas patrocinados por Paul Allen, cofundador da Microsoft, publicaram nesta terça-feira (12) um atlas computadorizado do cérebro humano. O projeto, de US$ 55 milhões, oferece o primeiro guia de pesquisa interativo da anatomia e dos genes que inspiram a mente.

Um projeto do Allen Institute for Brain Science (Instituto Allen para a Ciência do Cérebro), sediado em Seattle, nos Estados Unidos, o atlas online documenta a interação entre a estrutura cerebral e sua bioquímica, mostrando graficamente os genes trabalhando no cérebro humano. "Até agora, um mapa definitivo do cérebro humano neste nível de detalhamento simplesmente não existia", disse Allan Jones, executivo-chefe do instituto, que não tem fins lucrativos. "Pela primeira vez, geramos um mapa abrangente do cérebro que inclui a bioquímica oculta".

O instituto disponibilizou gratuitamente o atlas no endereço www.brain-map.org como uma fonte para cientistas que estudam doenças cerebrais, além de uma série de ferramentas de computador para ajudar a analisar os dados.

Avanços na capacidade de investigar o cérebro humano têm levado a um renascimento da neurociência nas últimas décadas. O novo atlas online é considerado significativo porque combina várias técnicas de imagem confiáveis em um arquivo tridimensional, que mapeia com precisão toda a anatomia, estrutura nervosa, características das células e uma exaustiva leitura da atividade dos genes.

"O Atlas de Allen nos diz onde o gene é ativado no cérebro e é por isso que é importante", disse o neurologista Jeffrey L. Noebels, que estuda epilepsia na Faculdade de Medicina Baylor, em Houston. "A localização onde esses genes estão ativos é o centro da compreensão de como as doenças cerebrais funcionam."

O atlas catalogou mil marcos anatômicos em cada um dos dois cérebros normais adultos, doados para pesquisa, em então ligou esses tecidos a milhares de genes que podem agir nas combinações complexas para o desenvolvimento e funções neurais normais. Cada gene foi atingido por duas ou três sondas de microarranjo para avaliar a sua atividade. O atlas abrange mais de 100 milhões de dados que medem com que força genes diferentes agem em cada marco.

Quando reuniram as imagens do cérebro e os dados genéticos, os pesquisadores ficaram surpresos ao descobrir que, por esta medida neural, quaisquer duas pessoas são 94% parecidas. Além disso, descobriram que mais de 80% de todos os genes humanos conhecidos são ativados pelo trabalho do cérebro.

A primeira edição do atlas levou quatro anos para ficar pronta e seus rascunhos preliminares já se tornaram uma ferramenta de pesquisa para 4 mil cientistas, que o adotaram em suas investigações sobre a biologia cerebral. Ele foi construído com técnicas de computador que o Instituto Allen desenvolveu durante a criação de um atlas interativo do cérebro de um camundongo, lançado em 2006.

Cientistas descobrem maneira de mapear complexidade do cérebro

Ainda assim, o atlas do cérebro humano está longe da conclusão. Até agora, o arquivo online é exclusivamente masculino. Os pesquisadores esperam adicionar mais oito cérebros aos registros até o final do ano que vem, para descrever melhor as variações entre as pessoas. Os pesquisadores disseram que, quando concluído, os registros incluirão um ou mais cérebros femininos.

Neste meio tempo, "estamos certos de que estamos disponibilizando uma boa imagem média do cérebro para as pessoas que estão trabalhando com esses dados", disse Jones.

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