Cientistas prometem o fim do amargor nos alimentos

Nova substância é capaz de bloquear a percepção do sabor amargo na boca

Maria Fernanda Ziegler, iG São Paulo |

Getty Images
Foto em close-up das papilas gustativas da língua humana: 27 receptores diferentes para sabor amargo
Pesquisadores descobriram uma forma de acabar com a cara feia que vem logo após o gosto amargo de um remédio. Eles criaram uma substância capaz de bloquear a percepção do amargo de alguns medicamentos e alimentos. A substância, chamada de GIV3727, inibiu os receptores gustativos do amargo na língua das pessoas. Os criadores da substância acreditam que, além de facilitar o uso de certos medicamentos, a substância pode ajudar para uma dieta mais saudável e rica em vegetais.

A substância se liga aos os receptores gustativos e impedir que eles sejam ativados por moléculas das substâncias amargas. “Este bloqueio não é permanente, dura apenas enquanto a comida ou a bebida com bloqueadores está na boca e a ideia é que seja um efeito efêmero e não permanente”, disse ao iG Ioana Ungureanu, pesquisadora da Givaudan Flavours Corp., empresa que fez os testes e pretende comercializar o produto.

A língua é composta por diversas células gustativas que contém receptores específicos para os sabores que fazem parte do paladar humano: amargo, doce, salgado e azedo. Os pesquisadores identificaram 27 receptores diferentes para diferentes graus de amargor.

De acordo com Ioana, o bloqueador de amargor pode também contribuir para a dieta mais saudável entre as pessoas, visto que o amargo não está só em medicamentos e adoçantes, mas também em alguns alimentos: “Vegetais verdes, como espinafre e brócolis embora sejam excelentes fontes de cálcio e outros nutrientes importantes para uma boa saúde, têm sabor mais amargo”, afirmou.

“Acredito que estes compostos irão ajudar as pessoas com sensibilidade elevada a sabores amargos a ter uma vida mais confortável e ter mais liberdade na escolha de alimentos ou bebidas. Em outras palavras, eles não vão ter medo de provar uma bebida de baixa caloria, porque eles sabiam que da última vez que tentou fazê-lo o gosto foi horrível. Além disso, existem tantos medicamentos que são extremamente amargos, aqui a vantagem é óbvia”, disse.

Ioana afirma que a sensibilidade para os alimentos é variável de uma pessoa para outra e isto se dá, em parte, pela genética. Ela explica que de acordo com estimativas quase 25% da população têm elevada sensibilidade a alimentos amargos. Para a pesquisadora, são eles que vão se beneficiar mais do novo produto.

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