Cientistas observam tempestade de raios em Saturno

Fenômeno gerou descarga de energia 10 mil vezes maior que a energia consumida pela humanidade em um ano

Alessandro Greco, especial para o iG |

NASA/JPL/SSI
Tempestade de raios em Saturno captada pela sonda Cassini
Grandes tempestades de raio em Saturno não são um fenômeno muito comum. Ocorrem geralmente a cada 29,5 anos terrestres, o equivalente a um ano saturniano, e são visíveis da Terra. Em dois artigos publicados nesta quarta no periódico científico Nature, grupos independentes de pesquisadores analisam de perto um fenômeno deste tipo que ocorreu no final do ano passado. “A surpresa foi que ele aconteceu apenas 20 anos após o último 'Grande Ponto Branco' [GWS no acrônimo em inglês], como são chamadas estas tempestades. A energia também foi impressionante. Ela corresponde à energia recebida da Terra pelo Sol durante um ano e é 10 mil vezes maior que a consumida em um ano pela humanidade”, explicou ao iG Georg Fischer, Academia Austríaca de Ciências, principal autor do artigo que usou dados da sonda espacial Cassini.

Formado por uma gigantesca nuvem, o GWS foi detectado pelos instrumentos a bordo da Cassino em 5 de dezembro. O tamanho? Cerca de 3.250.000 de km 2 , o equivalente à área combinada das regiões Sudeste, Centro-Oeste e com os estados da Bahia e Paraná.

Um detalhe interessante é que os GWS ocorrem sempre em latitudes específicas, a 35 graus norte e sul. “Não sabemos por que as latitudes são tão específicas. O que sabemos é que a velocidade de vento em Saturno é uma função da latitude e a 35 graus norte e sul ela é mínima. Pode ser que somente nestas latitudes tempestades de raio possam se desenvolver, pois em outras latitudes seriam desmanchadas pelo vento”, afirmou Fischer.

No outro artigo, pesquisadores liderados por Agustin Sánchez-Lavega, da Escola Técnica Superior de Engenharia, de Bilbao, na Espanha, utilizaram telescópios localizados em diferentes partes da Terra para acompanhar o fenômeno. Eles combinaram as observações com simulações numéricas para buscar entender a dinâmica do fenômeno. A detecção do GWS ocorreu basicamente de forma simultânea pelos telescópios terrestres e pela Cassini.

A tecnologia disponível para medir e monitorar a evolução da grande tempestade não tem precedentes segundo Peter Read, físico da Universidade de Oxford, Inglaterra, em um terceiro texto que acompanha as pesquisas de Sánchez-Lavega e Fischer. “Será interessante ver se este evento leva a uma mudança em larga escala na atmosfera de Saturno, já que perturbações na estratosfera já são visíveis – e também se ele irá evitar a criação de outras tempestades perto do solstício de verão. Todas essas questões necessitarão de mais estudos utilizando modelos e observações mais sofisticadas. Este último evento, no entanto, já forneceu muitos dados novos que irão ajudar a alimentar esses modelos”, afirmou ele.

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