Cientistas encontram grupo de neurônios ligados à agressividade

Pesquisa foi feita com camundongos e mostrou que os mesmos neurônios também estão relacionados a sexo

Alessandro Greco, especial para o iG |

Dayu Lin
Camundongo ataca luva ao ter área do hipotálamo ativada por luz, durante experimento
A relação entre sexo e violência não é novidade na cultura humana. Já foi mostrada, por exemplo, em filmes como a Laranja Mecânica, baseado no livro homônimo de Anthony Burgess. Mas faltava identificar de que ponto do cérebro emergia.

Cientistas descobriram um grupo específico de neurônios relacionados à agressão em uma área do cérebro chamada hipotálamo. “Esperávamos encontrar uma região do cérebro relacionada a agressão baseada em estudos anteriores feitos em outros animais (gatos e ratos, por exemplo), mas não esperávamos achá-la tão localizada, em especial em uma área do cérebro tradicionalmente associada ao comportamento reprodutivo”, explicou ao iG David Anderson, do Instituto de Tecnologia da California (Caltech), nos Estados Unidos, e principal autor do estudo. O hipotálamo influencia o comportamento sexual ao estimular a glândula pituitária a liberar os hormônios sexuais. Quando o nível destes hormônios cai, o desejo sexual dminui. A pesquisa, publicada nesta quarta-feira (9) na revista Nature, descobriu que os neurônios da agressividade e os que estimulam a pituitária estão misturados em uma mesma região do hipótalamo das cobaias.

O grupo de Anderson usou uma técnica chamada optogenética, que utiliza luz para ativar genes específicos. “Ela permitiu que tivéssemos uma localização mais precisa do que era possível anteriormente, usando métodos tradicionais de estímulo cerebral. como fios elétricos”, afirmou Anderson.

No estudo, os cientistas mostraram que o estímulo de uma área do hipocampo levou os camundongos macho a atacarem fêmeas e objetos inanimados. “Não fizemos o teste inverso [se fêmeas têm o mesmo comportamento] em detalhe. Sabemos que em ratos o estímulo do cérebro causa ataques inapropriados em machos e fêmeas, mas se é a mesma região que está envolvida, não temos certeza”, disse Anderson.

Um local semelhante deve existir inclusive em humanos. “Quase certamente [ele existe] pois o hipotálamo é muita antigo do ponto de vista evolutivo e os humanos têm uma anatomia cerebral muito semelhante à do camundongo nesta área”, completou Anderson.

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