Cientistas detectam violentas tempestades em exoplaneta Osíris

O planeta fora do sistema solar tem ventos de até 10 mil km/h e temperaturas de mil graus centígrados

AFP |

Divulgação/Nature
Representação artística do exoplaneta Osíris orbitando ao redor de sua estrela, a150 anos-luz da Terra
Tempestades com ventos de 5 mil a 10 mil km/h de velocidade, uma temperatura de superfície de mais de 1000°C: o clima extremo do planeta extrasolar apelidado Osíris continua a seduzir os pesquisadores, como evidenciou um estudo publicado nesta quarta-feira pela revista científica Nature.

HD209458b, nome oficial de Osíris, fica muito próximo de sua estrela e percorre sua órbita em 3,5 dias em uma velocidade de 140 km/segundo, quase cinco vezes mais rápido do que a Terra gira em torno do Sol, segundo Ignas Snellen, do Observatório de Leiden, Holanda, e sua equipe.

Cada vez que o planeta passa em frente a sua estrela, uma fração da luz do astro é bloqueada durante três horas. Situado a 150 anos-luz ( cerca de 1400 trilhões de quilômetros) da Terra, Osíris foi descoberto em 1999 e foi o primeiro exoplaneta, como são chamados os planetas fora do Sistema Solar.

A atmosfera deste planeta maciço (quase dois terços da massa de Júpiter) escapa no espaço, como se perdesse sua substância - por isso, o nome Osíris. O deus egípcio que lhe dá nome foi morto pelo seu irmão que em seguida dispersou pedaços do seu corpo.

Como o planeta sempre apresenta a mesma face para a estrela, sua temperatura de superfície é mais fria no lado "noite" do que no lado "dia", onde ela pode atingir 1000°C.

"Na Terra, as grandes diferenças de temperaturas são causadas inevitavelmente pelos ventos fortes e, como mostra os instrumentos, a situação é a mesma em HD209458b", destacou Simon Albrecht, do  Massachusetts Institute of Technology (MIT) em um comunicado.

Graças ao telescópio VLT do Observatório Astronômico Europeu (ESO) instalado no Chile, os astrônomos puderam observar durante cinco horas a atmosfera deste planeta, composto de monóxido de carbono, no momento em que ele passava na frente da sua estrela.

Estudando este gás mortal, "nós descobrimos um supervento, que sopra entre 5 mil e 10 mil km/h", declarou Snellen em um comunicado da ESO.

Experimentando outros métodos que poderiam servir para descobrir vida em outros exoplanetas, os astrônomos analisaram, com o espectrógrafo CRIRES, a luz da estrela filtrada através da atmosfera de Osíris.

Assim, eles puderam mensurar com grande precisão a velocidade do monóxido de carbono, graças ao efeito Doppler, impressão deixada pelo gás variando de acordo com sua proximidade ou distanciamento da Terra.

Eles puderam também, pela primeira vez, calcular diretamente a velocidade do exoplaneta, sua massa e descobrir que sua atmosfera seria "tão rica em carbono quanto Saturno e Júpiter".

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