Cientistas descobrem por que sapos conseguem capturar suas presas

Imagens de câmera lenta mostraram que animais captam alimento muito mais rápido que um piscar de olhos. Veja o vídeo

iG São Paulo |

Os sapos têm um truque adicional para capturar suas presas. Eles conseguem mover a língua e se alimentar, mesmo no frio, com temperaturas que imobilizariam muitos anfíbios e répteis. A questão de como o sapo, pouco atlético, consegue se alimentar de animais mais rápidos que ele sempre intrigou  biólogos.

Os pesquisadores da Universidade do Sul da Flórida sabiam que as contrações musculares são muito prejudicadas em baixas temperaturas e que os animais ectotérmicos – de sangue frio, como anfíbios e répteis – não podem aquecer seu corpo acima da temperatura de seu entorno. De acordo com o biólogo Stephen Deban, o mecanismo usado pelos sapos de recolher a língua como um elástico permite contornar essa limitação, "como o tiro de arco e flecha".

“Não importa quanto tempo leva para os músculos lançar a fecha, ela sempre voa na mesma velocidade”, disse.

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Para testar esta hipótese, os pesquisadores usaram imagens digitais de alta-velocidade, de seis mil frames por segundo, para capturar os detalhes de sapos da espécie Bufo terrestris se alimentando de besouros e grilos.

Paralelamente, eles fizeram análises por eletromiografia (EMG) dos músculos da boca abrindo e fechando, para determinar quando os músculos eram ativados pelo sistema nervoso. O estudo foi realizado a temperaturas que variavam de 10°C a 38 ºC. A temperatura da língua dos sapos foi medida com termômetro infravermelho.

As imagens confirmaram a hipótese de que os sapos lançam a língua com aproximadamente a mesma velocidade independente da temperatura. O tempo que vai desde o início da saída da língua até seu total prolongamento também não variou, 14 milissegundos – uma comparação, uma piscada de olhos leva 100 milissegundos.

As imagens também confirmaram que os movimentos usados para se alimentar que não tinham potencial elástico eram fortemente afetados pelo frio. A 10ºC, os sapos levaram de 2 a 3 vezes mais tempo para recolher a língua e fechar a boca que a 38ºC.

As gravações da atividade muscular mostraram que não há nada de especial sobre o modo como a mandíbula dos sapos ou o sistema nervoso reage a baixas temperaturas. Assim como todos os animais, necessitam de mais tempo para se mexer no frio. os músculos que abrem a boca são ativados antes, até 300 milissegundos antes do movimento - mais de 20 vezes o tempo da projeção da língua em si. O estudo mostra que é o mecanismo do recolhimento elástico que dá a língua a prova de frio a habilidade de se lançar.

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