Cientistas criam pele eletrônica flexível

Equipamento que se assemelha a tatuagem temporária tem entre suas aplicações potenciais o monitoramento de funções vitais. Veja

Alessandro Greco, especial para o iG |

John A. Rogers
Dispositivo eletrônico flexível se integra à pele sem causar alergias ou irritações
Um novo equipamento promete facilitar muito o monitoramento de funções vitais como batimentos cardíacos. Colado à pele, como uma tatuagem temporária (estilo transfer), o design do sistema eletrônico ultrafino foi apresentado nesta quinta-feira (11) em um artigo no periódico científico Science. “O que estamos buscando é redefinir e redesenhar a eletrônica que atualmente é feita em superfícies rígidas. A ideia é diminuir a distinção entre tecidos eletrônicos e biológicos de forma a criar novos aplicativos”, afirmou John Rogers, que liderou a pesquisa, em conversa com jornalistas do mundo inteiro. Veja como a tecnologia funciona no vídeo abaixo.

Os equipamentos desenvolvidos por Rogers, professor na Universidade de Illinois em Urbana-Champaign, Estados Unidos, nada mais são do que circuitos integrados ultrafinos (da ordem da espessura de um fio de cabelo) com diversos sensores embutidos. Aliado à espessura ultrafina, o material é montado em forma de uma rede de teia de aranha. “Um resultado disto [da espessura e da estrutura] é que com um processo muito simples você pode integrar o circuito à pele sem a necessidade de amarras ou de perfurações”, explicou Rogers.

John A. Rogers
Foto mostra flexibilidade da pele eletrônica: aplicação no monitoramento de sinais vitais
O que mantém o equipamento grudado à pele são as chamadas forças de Van der Waals, que existem entre duas superfícies - a mesma que, acredita-se, permite a uma lagartixa subir pelas paredes. Outro dado interessante é o fato de o equipamento ficar grudado na pele por uma período que varia de uma a dias semanas sem estragar caso seja apertado, esticado ou molhado.

No trabalho os pesquisadores testaram a pele eletrônica e ela funcionou por 24 horas ou mais no braço, pescoço, cabeça, peito e queixo de voluntários sem irritar a pele. Depois a equipe tomou medidas da atividade elétrica do músculo da perna e do coração dos participantes e constatou que os sinais captados eram similares aos tomados ao mesmo tempo pelos aparelhos usados atualmente. “Imaginamos, por exemplo, fazer o monitoramento de bebês prematuros e de pessoas com apneia do sono”, explicou Rogers.

Para transferir o equipamento para a pele os pesquisadores usaram, por exemplo, uma figurinha daquelas compradas na banca de jornal, tipo autocolante. Entenda todo o processo com o vídeo abaixo, em inglês:


Caso não consiga ver o vídeo, clique para assistir na TV iG: Cientistas criam pele eletrônica flexível

Uma questão ainda não bem resolvida no trabalho é de como fornecer energia para o funcionamento do equipamento. No artigo, os pesquisadores afirmam que esta é uma área a ser melhor explorada em futuros trabalhos apesar de terem demonstrado duas formas de dar energia ao equipamento no próprio texto.

Os resultados apresentados no artigo são fruto de uma parceria iniciada há seis anos entre Rogers e Yoggang Huang, da Universidade Northwestern, também nos Estados Unidos.

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A tecnologia está nas mãos da empresa MC10, uma startup que detém o direito de desenvolver o equipamento para colocá-lo no mercado. “Não tivemos que reinventar materiais semicondutores ou design de transistores [para fazer o equipamento]. Tentamos criar em cima do conhecimento estabelecido pela indústria de semicondutores nas últimas décadas para criar oportunidades na área de biointegração”, afirmou Rogers. E completou: “O sistema básico de manufatura já existe e a MC10 chegou à conclusão de que o custo de produção é razoável”.

Atualmente a empresa tem, segundo Rogers, uma parceria com a empresa Reebok na área.

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