Cientistas criam espermatozoide em laboratório

Pesquisadores recriaram todas as etapas da formação de espermatozoides de ratos. Anúncio surge como promessa contra infertilidade

Maria Fernanda Ziegler, iG São Paulo |

Getty Images
Formação do espermatozoide é um dos processos mais complexos e longos de divisão celular
Cientistas japoneses conseguiram criar, pela primeira vez, espermatozoides de ratos em laboratório. Os espermatozóides foram congelados e depois fertilizaram óvulos, resultando em ratos férteis. A descoberta consiste em um passo importante para estudos sobre a infertilidade masculina.

O fato é considerado uma grande vitória, pois a formação do espermatozoide é um dos processos mais complexos e longos de divisão celular. Em mamíferos, leva mais de um mês, entre várias e complexas etapas – que até agora nunca tinha sido reproduzido por completo em laboratório.

“Falando de um modo exagerado, nós sabemos ainda muito pouco sobre os mecanismos da espermatogênese e o que é necessário para completar o processo que vai das células-tronco no testículo até o esperma”, disse ao iG Takehiko Ogawa, professor do Departamento de Urologia da Universidade de Yokohama e autor do estudo publicado nesta semana no periódico científico Nature .

A diferença no estudo dos pesquisadores da Universidade de Yokohama está no uso de método de cultura de órgãos, que foi muito usado na década de 1960. Fragmentos de tecido são retirados em blocos do corpo, o que mantém a estrutura e o microambiente original por até uma semana, no máximo. “Anteriormente, o período era muito curto para trabalharmos de forma adequada, mas conseguimos agora manter os tecidos por tempo suficiente para a geração de células,” disse Ogawa que considera que a manutenção do microambiente tenha sido essencial para que a espermatogênese ocorresse de forma adequada.

Um longo caminho
O processo natural de espermatogênese em mamíferos persiste ao longo de quase toda a vida adulta. Ela começa no testículo, com células-tronco de espermatogônias, que se diferenciam do tipo de espermatogônias em espermatogônias do tipo B, e depois em espermatócitos. Os espermatócitos sofrer divisão celular por meiose para formar espermátides e, finalmente, espermatozoides. A maturação completa deste processo demora mais de um mês para a maioria dos mamíferos.

Em laboratório, a equipe de Ogawa conseguiu manter o processo de espermatogênese durante dois meses nos fragmentos de tecidos, que foram mantidos na interfase líquido-gás. Os espermatozoides obtidos resultaram em prole saudável e com capacidade reprodutiva.

Para Ogawa, um dos objetivos da pesquisa é estabelecer um sistema in vitro para o estudo das células germinativas humanas. “Se fomos capazes de identificar as células-tronco espermatogônias e com isto fazer com que elas se multipliquem em cultura e diferenciá-las no esperma, aí teremos atingido nosso grande objetivo”, disse. 

Os pesquisadores esperam que o método seja usado em outros estudos em humanos e outros animais. “Com estes esforços, outras novas descobertas serão feitas. O avanço neste estudo certamente vai ajuda em métodos para combater a infertilidade masculina”, disse.

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