Manipulando frequências da luz, pesquisadores conseguiram provar que é possível tornar objetos indetectáveis temporariamente

Um grupo de pesquisadores da Universidade de Cornell, nos Estados Unidos, realizou um experimento que torna qualquer objeto invisível e mesmo indetectável por aparelhos. O trabalho estaria mais para um truque de mágica, caso não tivesse realmente acontecido por meio da manipulação de ondas de luz que fizeram com que objetos “sumissem” temporariamente.

O “buraco no tempo” criado pelos pesquisadores existiu por apenas 40 trilionésimos de segundo (picosegundos), mas abre possibilidades práticas. “Este método nos dá a capacidade de manipular sinais ópticos em tempo real. Permite criar buracos e rearranjar pacotes de dados sem perturbar a informação que está sendo carregado por eles. Por isso pode ser útil para aplicações que necessitem de uma alta taxa de processamento óptico”, afirmou ao iG Moti Fridman, pesquisador da Universidade de Cornell (EUA) e um dos autores do artigo.

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No estudo, publicado nesta quarta-feira (4) no periódico científico Nature, físicos demonstraram que é possível abrir um “buraco no tempo” em uma onda de luz manipulando a velocidade com que a parte da frente e de trás da onda, respectivamente, acelerasse e freasse. Eles conseguiram fazer com que os objetos "sumisse", marcarando o tempo. Como consequência, qualquer evento que acontecesse no buraco criado entre a parte mais veloz e a mais lenta – em que não há luz -- seria indetectável.

Porém, os pesquisadores identificaram que esse buraco também geraria um “problema”: alguém poderia verificar a existência dele e concluir que a luz havia sido manipulada. Para resolver a situação, os físicos então desaceleraram a luz que havia sido acelerada e vice-versa. Com isso, o “buraco no tempo” deixou de existir e para um observador externo nada aconteceu. O feixe de luz estava absolutamente uniforme.

Em 2010, cientistas já haviam criado um “buraco no espaço” que fazia com que  qualquer objeto tridimensional sumisse. Depois do estudo publicado hoje, o próximo passo dos cientistas é criar um sistema capaz de unir a dois buracos no espaço e no tempo. “Vamos tentar fazer nosso ‘buraco temporal’ cooperar com o ‘buraco no espaço’ [...]. Isso irá criar um buraco no tempo e no espaço”, concluiu Fridman.

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