Cientistas conseguem criar modelo sobre fluxo solar

Modelo poderá ajudar a prever explosões solares e suas consequências para a Terra

Maria Fernanda Ziegler, iG São Paulo |

Cortesia Hinode Mission
Manchas solares, como a da imagem, desapareceram da superfície solar entre 2008 e 2010, criando um período de calmaria fora do comum
A falta de mecanismos que possam prever as tempestades solares está com os dias contados. Um grupo de pesquisadores, formado por um boliviano, um indiano e um holandês conseguiu construir um novo modelo de computador capaz de simular o ciclo magnético solar. As simulações se estenderam por mais de 210 ciclos de manchas solares, correspondente a 1.860 anos solares.

“Entender este mecanismo nos deixa um passo mais a frente para sermos capazes de predizer eventos ocasionados pelas atividades solares. Nós esperamos ser capazes de monitorar os fluxos de profundidade no interior do sol. Tomando isso como entrada para as simulações que nós esperamos ser capazes de prever mínimos solares e períodos de maior atividade”, disse ao iG Petrus Martens, do departamento de Física da Universidade de Montana e um dos autores do estudo.

As manchas solares (explosões na superfície do Sol), têm causado preocupação entre os cientistas. O astro tem ciclos a cada 11 anos de menor e maior atividade, que podem de alguma forma atingir a Terra, como causar blecautes, provocar erros em GPS, prejudicar vôos interpolares e queimar satélites.

No estudo publicado na edição desta semana do periódico científico Nature, os pesquisadores reconheceram os motivos que levaram aos longos períodos de ausência das manchas solares, que permeou o sistema solar durante os últimos anos. A explicação está na variação do fluxo de plasma – massa de partículas atômicas carregadas, como íons e elétrons - no interior do Sol.

As simulações mostraram que a ausência de fluxo rápido ao longo da primeira metade do ciclo de manchas solares, seguido por um fluxo mais lento cria um campo magnético fraco no Sol, o que gera um mínimo solar, ou seja, muitos dias sem a ocorrência de manchas na superfície do sol, uma espécie de calmaria nas explosões solares.

Martens explica que as manchas solares normalmente passam por ciclos de 11 anos. Às vezes, elas são tão abundantes que cobrem 1% da superfície do sol. Às vezes, eles desaparecem. Mas a recente calmaria durou o dobro do tempo habitual, uma ocorrência incomum, que aconteceu pela última vez por volta de 1913.

Perguntado sobre o que faz o que faz um fluxo maior ou menor de plasma na superfície solar, Martens foi categórico: “Isto nós também gostaríamos de saber”, disse. “ Eu só posso especular, mas eu não acho que o fluxo mais rápido ou mais lento tenha relação com o campo magnético solar, e sim com os detalhes da rotação interna e a produção de energia solar. Mas o meu palpite é tão bom quanto qualquer um”, diz.

Para Martens e seus colegas, se os cientistas podem prever o clima espacial, as pessoas e governos podem minimizar danos causados pelas explosões solares na Terra, como por exemplo desligar os satélites, desviar aviões das rotas dos pólos Norte e Sul, que são vulneráveis à radiação extra.

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