Cidades brasileiras receberão sistema que prevê desastre natural

Programa fará um mapa da ocorrência de desastres climáticos; mil municípios terão levantamento de áreas de risco

Maria Fernanda Ziegler, enviada a Goiânia |

Para Luiz Cavalcanti, chefe do Centro de Análise e Previsão do Tempo do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), a chuva na região serrana do Rio de Janeiro no mês de janeiro não foi apenas um desastre natural. “Natural é a chuva, já o desastre na serra fluminense eu não sei se é muito natural, não”, disse Cavalcanti, criticando o fato de áreas de risco estarem ocupadas por milhares de casas.

Cavalcanti falou nesta quarta-feira em palestra na 63ª reunião anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, que acontece nesta semana em Goiânia. Na mesma apresentação, estava também Antonio Marcos Mendonça, da Secretaria de Políticas e Programas de Pesquisa e Desenvolvimento do Ministério da Ciência e Tecnologia. Mendonça falou sobre como funcionará o sistema de monitoramento e alerta de desastres naturais que envolverá vários ministérios e deverá ter todas as etapas concluídas em 2014.

Até novembro deste ano, 25 cidades terão mapas de áreas de risco. A ideia é estender para outros mil municípios até 2014. “Para que seja feito o monitoramento adequado das áreas de risco e que sejam usados modelos está sendo proposto o Centro Nacional de Monitoramento de Alerta de Desastres, já em julho, para mitigar os efeitos dos desastres naturais”, disse Mendonça. A intenção é fazer o cruzamento das informações hidrológicas e meteorológicas e formar um mapa da ocorrência de desastres naturais.

O centro será implantado em Cachoeira Paulista, no interior do Estado de São Paulo, e contará com centros regionais. O ministério contratará geógrafos e hidrólogos e preparar cursos de capacitação para a equipe. Após esta etapa, serão implantados os sistemas de alerta. “Precisamos criar a cultura de alerta no Brasil”, disse.

Sistema

Cavalcanti afirmou que para prever catástrofes naturais não basta ter apenas equipamentos meteorológicos avançados. Para ele, falta desenvolver uma linguagem comum para a interpretação de fenômenos do clima e seus impactos sobre as cidades. “No desastre em Petrópolis o Inmet e o Cptec (Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos) alertaram 24 horas antes que ia chover muito na região, só que o bombeiro não sabia que aquilo era muito. Temos recursos de previsão mas não conseguimos evitar tragédias”, disse.

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