CERN minimiza boatos sobre descoberta do bóson de Higgs

Físico compara vazamento de comunicado preliminar sobre o LHC à publicação de documentos governamentais pelo WikiLeaks

iG São Paulo |

AFP
Cientista observa resultados de experimentos realizados no LHC
Funcionários do maior laboratório de física do mundo buscaram pôr em perspectiva o vazamento de um memorando com alegações de que uma grande descoberta – a do bóson de Higgs, a partícula que seria responsável por dar massa à matéria – teria sido feita.

Um porta-voz do Centro Europeu de Pesquisa Nuclear, o CERN, diz que a observação anotada pelos cientistas que trabalham no Grande Colisor de Hádrons (LHC) “provavelmente não é nada”.

Uma nota breve, publicada anonimamente num blog de física da Universidade de Columbia na semana passada, alega que algumas medições inesperadas vindas de uma colisão de partículas de alta energia marcam “a primeira observação definitiva de Física além do Modelo Padrão”.

“Modelo Padrão” é o nome dado ao conjunto de teorias que atualmente sustentam a física de partículas. A busca de fenômenos que estejam além do alcance dessas teorias é um dos principais objetivos do LHC.

O porta-voz James Gillies disse que resultados aparentemente impressionantes aparecem com frequência, mas também com frequência acabam descartados após alguma análise.

“A nota com certeza é genuína”, disse ele, mas acrescentou que memorandos assim são apenas a primeira etapa num processo rigoroso de revisão.

“O Higgs é realmente o Santo Graal da Física de partículas”, disse Philip F. Schewe, porta-voz do Instituto de Física dos EUA.

“É incomum que material assim, tão detalhado e específico, venha a público”, reconheceu Peter Woit, físico em cujo blog o memorando apareceu.

Ele disse ter optado por manter a postagem no ar porque ela já havia atraído dezenas de comentários quando finalmente a viu. “Era informação precisa, e do interesse dos leitores de meu blog”, explicou.

Embora anônima, a nota trazia o nome de quatro cientistas que trabalham no Atlas, um dos instrumentos de detecção de partículas do LHC.

Os autores citados na nota preferiram não falar com a imprensa, mas Jon Butterworth, físico britânico que também trabalha com o Atlas, disse que o vazamento do memorando foi uma infelicidade. “É uma comunicação bem exagerada”, disse ele, acrescentando que cerca de 30 notas do tipo circulam entre os cientistas do Atlas a cada semana. Poucas chegam a ser oficialmente publicadas em periódicos científicos.

Schewe comparou o vazamento do memorando às publicações de documentos secretos pelo WikiLeaks. “É meio embaraçoso, mas no longo prazo não é tão ruim”, definiu.

(com informações da AP)

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