Cérebro reconhece rostos usando apenas quatro áreas

Pesquisa mostra como o mecanismo pelo qual a mente processa e reconhece faces

Alessandro Greco, especial para o iG |

Getty Images
O cérebro usa 4 áreas diferentes para reconhecer rostos, cada uma com uma função
A nossa capacidade de enxergar é um sistema altamente complexo que requer o uso de mais de 30 áreas diferentes do cérebro trabalhando juntas para que possamos simplesmente ver. Agora reconhecer rostos é uma outra história que até hoje não tinha uma resposta objetiva. Uma pesquisa publicada nesta quinta na revista científica Science começou a mudar esta história.

Realizada por Winrich Freiwald, da Universidade Rockefeller e Doris Tsao, do Instituto de Tecnologia da California (Caltech) ambos nos Estados Unidos, o trabalho mostrou que apenas quatro regiões são necessárias para realizar esta tarefa importantíssima. No estudo, a dupla descobriu também que cada uma das áreas executa tarefas muito específicas no reconhecimento de faces. Duas delas, por exemplo, são muito sensíveis à direção, mas não à identidade da pessoa, as chamadas áreas lateral medial e ventral medial. Outra cuida da identidade, mas pouco se interessa pela direção em que a pessoa olha, a chamada medial anterior -- e a quarta, chamada de lateral anterior, se preocupa com a simetria, além da identidade. “Ficamos muito surpresos com a compartimentalização. Essas áreas têm conexões fortes umas com as outras, elas todas trabalham para analisar faces, mas cada um faz isso de um jeito único”, explicou Freiwald ao iG .

A pesquisa traz evidências de que diversas partes do cérebro formam módulos especializados totalmente devotados a uma tarefa. Um conceito que vai na direção da teoria da hipótese modularidade do cérebro -- algo como o conceito de um canivete suíço que tem ferramentas específicas para resolver problemas pontuais. “Pode ser uma organização especial para faces, mas é importante e talvez o a melhor evidência atual para a hipótese da modularidade”, completa Freiwald.

Os pesquisadores usaram ressonância magnética funcional -- uma ferramenta que permite enxergar o funcionamento do cérebro em tempo real -- para monitorar os neurônios que eram ativados em macacos adultos enquanto mostravam 200 fotografias de 25 rostos humanos diferentes.

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