Pesquisa da Universidade Federal do Rio de Janeiro usou células-tronco para descobrir motivos do surgimento da doença no cérebro

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Cientistas brasileiros criaram um modelo in vitro para o estudo de esquizofrenia utilizando células-tronco de pluripotência induzida (iPS, na sigla em inglês). Com a técnica, conseguiram demonstrar que o excesso na produção de radicais livres é um dos responsáveis pelo surgimento do distúrbio.

De acordo com o líder da pesquisa, Stevens Rehen, do Laboratório Nacional de Células-Tronco Embrionárias da UFRJ (Lance-UFRJ), é a primeira vez que um trabalho totalmente realizado no País modela uma doença humana.

Método
O grupo - que também reúne pesquisadores de outras universidades, como USP e UFRGS - retirou células da pele na nuca de dois voluntários: um deles com diagnóstico de esquizofrenia e outro saudável.

Reprogramaram as células para que elas recuperassem sua pluripotência e, depois, conduziram sua diferenciação para a condição de neurônios.

Ao comparar as duas colônias, perceberam que as células diferenciadas do paciente com esquizofrenia consumiam duas vezes mais oxigênio, transformando-o em radicais livres, tóxicos à célula quando em excesso.

O estudo foi ainda mais longe: os cientistas conseguiram “curar” os neurônios in vitro administrando ácido valproico. Desta forma, tornaram-se o primeiro grupo no mundo a reverter no laboratório marcas bioquímicas de neurônios humanos com esquizofrenia.

O trabalho já foi aceito para publicação na revista Cell Transplantation e será tema de uma palestra hoje no Simpósio Indo-Brasileiro de Ciências Biomédicas, no Rio. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo .

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