Brasil é um dos países mais tolerantes do mundo, diz pesquisa

Estudo mapeou diferenças culturais em 33 países e dividiu países em mais rígidos e mais tolerantes

iG São Paulo |

A venda de maconha é bastante tolerada na Holanda, mas pode levar à pena de morte na Malásia. Mascar chiclete é muito popular no Estados Unidos, porém é estritamente regulamentada em Cingapura. Conformidade é um valor em alta na Coreia do Norte, mas nem tanto no Brasil.

Parece um pouco óbvio que valores sociais e públicos variem tanto de país para país, mas um consórcio internacional de cientistas trouxe um novo olhar nas razões de algumas culturas serem mais restritivas que outras e identificaram alguns dos motivos deste fenômeno. O estudo foi publicado na edição desta semana do periódico Science

“Existe um potencial muito grande de conflito entre tipos diferentes de culturas”, explicou a líder do estudo, Michele Gelfand, da Universidade de Maryland, durante coletiva à imprensa. Entender essas diferenças e suas razões, explica, “nos faz ser menos ‘donos da verdade’”.

Entender o que ela chamou de culturas “rígidas” ou “tolerantes” é muito importante, em um mundo onde as dependências interglobais só crescem. “Do ponto de vista de cada uma dessas culturas,” escrevem os autores, “a outra parece disfuncional, injusta e fundamentalmente imoral, e essas crenças divergentes podem se tornar combustível para conflitos culturais”.

Os pesquisadores conduziram 6.823 entrevistas em 33 países, indagando sobre a força de normas sociais, o quanto as pessoas entendiam que tipo de comportamento era esperado em determinadas situações e como as pessoas reagem diante de uma postura inadequada. Assim, as nações rígidas foram definidas como locais onde comportamentos permissivos são limitados, e as tolerantes, lugares que encorajam uma gama variada de posturas e ações.

Mas ameaças à segurança, frequência de desastres naturais e alta densidade populacional foram identificados como fatores que levam países a terem uma cultura mais restritiva, descobriram os pesquisadores.

O Paquistão, por exemplo, com sua alta densidade populacional e histórico de conflitos, foi considerado o país mais rígido da lista. Na sequência, vieram Malásia, Índia, Cingapura e Coreia do Sul.

No outro lado do espectro, a nação mais tolerante foi a Ucrânia, seguida por Estônia, Hungria, Israel, Holanda e Brasil. Todas as entrevistas aconteceram em apenas uma cidade – no caso do Brasil, foi em São Paulo.

“Israel é um caso interessante”, afirmou Michele. “Mesmo com tantos conflitos, é uma cultura bastante tolerante”. A isto, ela atribui ao fato do país ser jovem e incluir muitos imigrantes do Leste Europeu, que estão entre as regiões menos restritivas. Além disso, debates filosóficos fazem parte da tradição judaica, o que traz mais liberdade de ação.

“Este estudo reforça outras pesquisas que mostram que a variabilidade populacional se infiltra na mente humana”, afirmou Ara Norenzayan, psicólogo da Universidade da Columbia Britânica, que não esteve envolvido no estudo.

Norenzayan dá como exemplo casos em que a importância da religião aumenta em lugares onde existem ameaças, como guerra ou desastres naturais, e diminui consideravelmente em sociedades com altos níveis de desenvolvimento econômico, baixa mortalidade infantil e maior equiparação de renda.

As entrevistas foram feitas com adultos economicamente ativos e estudantes universitários, e compreenderam atitudes como beijar em um banco ou comer em uma sala de aula. Os entrevistados também tinham que dizer o quão justificáveis eram comportamentos como pedir benefícios indevidos do governo, evitar pagar por transporte público, sonegar impostos, homossexualidade, aborto, divórcio, entre outros.

Mas as culturas podem mudar. Como exemplo, Michele citou os Estados Unidos, que tendem a ser menos restritivos, mas após os ataques de 11 de setembro, houve uma imposição de regras e restrições em aeroportos e outros locais públicos.

(Com informações da AP)

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