Borboleta também se automedica

Inseto usa de plantas medicinais para cuidar da prole

Maria Fernanda Ziegler, iG São Paulo |

Getty Images
Automedicação: borboleta monarca usa de plantas medicinais para tratar sua prole
A automedicação não é uma exclusividade do Homo sapiens . Pesquisadores descobriram que a borboleta monarca, aquela que migra do norte dos Estados Unidos até o México todos os anos, usa de plantas medicinais para tratar doenças em sua prole.

O estudo publicado no jornal científico Ecology Letters constatou que algumas espécies de plantas que secretam seivas leitosas - as serralhas - podem reduzir o desenvolvimento de parasitas nas borboletas monarcas. O parasita Ophryocystis elektroscirrha se aloja no intestino das lagartas, o que os leva à morte. E surpreendentemente, as fêmeas, num caso de automedicação, deixam seus ovos justamente nestas plantas para que sua prole não seja infectada. 

Os pesquisadores da Universidade de Emory, de Atlanta, criaram borboletas infectadas e não infectadas que copulavam com machos não infectados. Em seguida as fêmeas foram colocadas em gaiolas com duas plantas, uma com forte poder medicinal e outra não. Após duas horas os pesquisadores contaram o número de ovos deixados em cada planta. O resultado foi que as borboletas infectadas colocam mais ovos nas serralhas tropicais, que têm poder medicinal, em comparação com as borboletas não infectadas.

Os pesquisadores atribuem o poder terapêutico de algumas serralhas ao alto índice de substâncias, chamadas de cardenólidos, que parecem intoxicar os parasitas.

“É importante notar que as fêmeas não podem se curar da doença. Além disso, quando são infectadas, elas carregam milhões de parasitas em seu corpo, e alguns destes são transferidos para os seus ovos. Elas não podem evitar a propagação do parasita à prole. No entanto, elas podem reduzir a infecção e a doença ao por seus ovos em plantas medicinais”, disse ao iG Jacobus de Roode, biólogo que liderou a pesquisa.

Casos de automedicação entre animais são raramente identificados. Estudos mais antigos apontavam que chipanzés e gorilas se alimentam de determinadas folhas, sem valor nutricional, para se livrar de verminoses. O estudo da Universidade de Emory foi o primeiro que conseguiu provar que insetos são capazes de usar plantas medicinais. 

“A descoberta já é curiosa simplesmente por ser muito interessante saber que borboletas também exercem a automedicação. Acho interessante observarmos e aprendermos tratamentos medicinais com outros animais, para que no futuro, este conhecimento possa ser implementar em humanos”. O parasita que infecta as borboletas monarcas é um protozoário semelhante ao protozoário causador da malária, mas de acordo com de Roode, ainda não se sabe se as serralhas são capazes de combater outras doenças também.

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