Testes genéticos e câmeras revelaram as políticas de relacionamento de uma comunidade de insetos na Espanha

O coordenador do estudo Tom Tregenza examina um dos grilos do seu
Science/AAAS
O coordenador do estudo Tom Tregenza examina um dos grilos do seu "reality show"
Parecia com um reality show. Sessenta e quatro câmeras de vídeo acompanhavam centenas de indivíduos no norte da Espanha, cada um com uma etiqueta de identificação presa nas costas.

Mas as estrelas eram os grilos. E o set de filmagem era uma campina de 2.500 metros quadrados, onde cientistas observavam, com uma intensidade sem precedentes, o comportamento dos insetos num habitat natural.

Estudar insetos na natureza é difícil porque eles são pequenos, de movimentos rápidos e inclinados a voar. Neste estudo, cientistas registraram mais de 250 mil horas de vídeo, acompanhando duas gerações de grilos que não voam, noite e dia, ao longo de dois anos. Eles também usaram amostragem de DNA para rastrear os números de descendentes.

Incrivelmente, eles descobriram que machos menores e subservientes acasalam com o dobro de fêmeas do que os machos maiores e dominantes. Mesmo assim, ambos tendem a ter o mesmo número de descendentes.

“Em laboratório, os machos dominantes se saem melhor”, disse Tom Tregenza, professor de ecologia evolucionária da Universidade de Exeter, e um dos autores do estudo. “Se você colocar dois machos numa pequena caixa com uma fêmea, o macho dominante simplesmente atacará o subserviente e acasalará com a fêmea”.

Campina em Astúrias, no norte da Espanha, com as câmeras do estudo montadas para vigiar os grilos 24 horas por dia
Science/AAAS
Campina em Astúrias, no norte da Espanha, com as câmeras do estudo montadas para vigiar os grilos 24 horas por dia
Na natureza, os machos subservientes podem ter mais espaço para fugir e evitar os machos dominantes, disse ele.

Ele e seus colegas também descobriram que, quanto mais um macho subserviente canta, mais parceiras ele terá. Nos machos dominantes, não houve tal ligação.

“Se você é um macho pequeno, aparentemente precisa cantar muito”, afirmou Tregenza. “Mas se você for o tipo forte e silencioso, se sairá bem”.

(Por Sindya N. Bhanoo)

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