Bactéria causadora da pneumonia muda rapidamente seu genoma

Pesquisa mostrou que cepa resistente a antibióticos modificou cerca 75% de seus genes em menos de 30 anos

Alessandro Greco, especial para o iG |

Getty Images
Imagem de microscópio eletrônico da Streptococcus pneumoniae: velocidade de mutação genética surpreendeu os cientistas
A bactéria Streptococcus pneumoniae é uma velha conhecida dos médicos. Causadora da pneumonia e da meningite bacteriana, cepas dela têm cada vez mais gerado situações difíceis ao se tornarem resistente a antibióticos e vacinas.

Esta semana, cientistas anunciaram ter descoberto o motivo de tanta dificuldade com uma delas, a cepa 23F Espanha, que é especialmente resistente a medicamentos. Ela simplesmente modificou cerca de 75% de seus genes de 1984 para cá. Ou seja: ao longo de 27 anos ela se tornou uma bactéria totalmente diferente e por isso é sempre necessário buscar novas maneiras de combatê-la. “Ficamos surpresos em quão rapidamente esta cepa evoluiu. Sabíamos antes deste estudo que ela havia passado por mudanças devido à [sua] resistência a antibióticos, mas somente fazendo o sequenciamento do genoma pudemos observar que essas mudanças ocorreram de forma independente em diferentes ocasiões. Consequentemente ela está se adaptando a uma velocidade muito maior do que o anteriormente previsto”, explicou ao iG Nicholas Croucher, dos Instituto Wellcome Trust Sanger, na Inglaterra.

A equipe de cientistas que trabalhou no projeto fez o sequenciamento e comparou o genoma de 200 espécimes da bactéria 23F Espanha espalhados pelos cinco continentes. Os dados obtidos por eles mostraram que a cepa utilizou duas estratégias clássicas para modificar seu genoma: a troca de bases (A,T,C e G) e a recombinação de genes na hora em que a célula se divide. “Há evidências de que diversas outras cepas da mesa espécie [ Streptococcus pneumoniae ] devem se adaptar a uma velocidade semelhante porém muitas cepas comuns se adaptam bem mais lentamente e ainda não são resistentes a antibióticos. Não sabemos a razão, por enquanto, mas é algo que queremos descobrir”, afirmou Croucher.

O estudo mostrou também que será muito difícil prever com precisão como cepas individuais irão responder a vacinas, pois as que são resistentes a elas podem ser bastante raras e difíceis de detectar antes da imunização começar. “Elas, no entanto, podem crescer rapidamente em número quando a vacina for largamente utilizada,” afirma Croucher.

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