Atlantis transporta experimento de pesquisador brasileiro

Células de pinhão manso serão enviadas ao espaço para descobrir se baixa gravidade ativa genes e faz a planta crescer mais

Maria Fernanda Ziegler, iG São Paulo |

O voo final do ônibus espacial Atlantis vai levar ao espaço , além de mantimentos para a Estação Espacial, um caronista brasileiro: uma caixinha, pouco maior que um notebook, com nove cilindros de  placas de petri de uma cultura de células de pinhão manso, do cientista brasileiro Wagner Vendrame, professor associado da Universidade da Flórida. 

Vendrame quer identificar como a baixa gravidade pode ativar determinados genes para que a planta, cujo óleo é matéria-prima de biocombustível, cresça mais rapidamente. A descoberta pode ajudar a criar lavouras de pinhão manso mais eficientes, aumentando assim sua produção.


“Sabemos que há demanda para o biodiesel, mas não existe produção suficiente. Queremos saber como fazer para aumentar a eficiência deste cultivo desta planta”, disse Vendrame em entrevista por telefone ao iG .

Maiores e mais rápidos
Este é o sexto experimento que Vendrame envia ao espaço. Agora o ele pode dizer que os três últimos ônibus espaciais - Endeavour, Discovery e Atlantis - contribuíram para sua pesquisa científica. Em 2007, culturas de células de orquídea foram a bordo da Endeavour. Elas passaram três meses no laboratório da Estação Espacial Internacional. Vendrame conta que, neste período, elas tiveram crescimento mais rápido e tridimensional que as da Terra. “O crescimento foi mais de três vezes a área inicial”, disse.

Desta vez, as células de pinhão manso vão permanecer no espaço por 12 dias. "Por ser o último voo espacial, nossas células vão retornar com o Atlantis mesmo, por volta do dia 20 de julho", disse.

Os cientistas já sabem que as plantas crescem mais rapidamente no espaço, mas acredita-se que não seja só pela questão de que como a gravidade no espaço é menor que a na Terra, elas têm mais facilidade para se desenvolver. “Acredita-se que a planta se adapte ao novo ambiente e com isto ocorram alterações genéticas. Queremos saber se alguns genes da planta se modificam no espaço”, disse.

Resta justamente saber quais são os genes afetados e se caso sejam afetados, saber se as alterações genéticas permanecem na planta quando ela volta para a Terra. Para isto, a equipe que trabalha com Vendrame fez o sequenciamento genético da planta. Foram encontradas 700 milhões de base que estão sendo analisadas. Quando as células das plantinhas voltarem, será feita a análise da expressão genética para que se possa comparar o que mudou depois que elas estiveram no espaço.Mas para saber isto é preciso esperar pelo retorno do Atlantis. 

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