Aterrissa avião que fez o 1º voo noturno movido a energia solar

Solar Impulse se manteve no ar durante 26 horas seguidas

iG São Paulo |

AP
Pessoas observam o avião no aeroporto de Payerne, na Suíça
O avião Solar Impulse aterrissou às 9h da manhã (horário de Brasília) desta quinta-feira (8) na Suíça e completou assim o primeiro voo noturno da história movido unicamente por energia solar, após conseguir manter-se no ar por 26 horas seguidas.

O avião, pilotado por André Borschberg, pousou na base militar de Payerne (oeste), em meio aos aplausos de uma centena de espectadores.

O protótipo de avião - dotado de 12 mil células fotovoltaicas, de uma envergadura de 63,4 metros, semelhante a um Airbus A340 e 1,6 toneladas - decolou na quarta-feira em condições meteorológicas ideais até os 8.700 metros de altura, um recorde para um aparelho deste tipo.

Seu objetivo era acumular energia solar necessária para manter-se no ar durante a noite. O avião realizou várias viagens e voltas durante seu voo noturno a uma velocidade de 50 km/h a fim de preservar ao máximo a energia que tinha acumulado.

Sob um céu limpo, o protótipo de matrícula HB-SIA percorreu a pista e parou ao final de cem metros.

"É a primeira vez que um avião solar voa durante a noite", comemorou o chefe de equipe, Bertrand Piccard, visivelmente orgulhoso.

O aparelho poderia, inclusive, ter continuando seu voo. "Ele capta suficiente energia para ganhar altura e passar uma nova noite no ar", declarou Piccard, que recebeu o piloto e ajudou a abrir o "cockpit".

Piccard detalhou que o aparelho tinha, no amanhecer desta quinta, energia suficiente em suas baterias para continuar voando mais três horas, uma margem muito maior que a esperada.

"É um prazer estar de volta!", declarou Borschberg. "Tenho a impressão de continuar no ar", acrescentou este ex-piloto militar de 57 anos.

O aparelho decolou na quarta-feira às 6h51,  a uma velocidade de 35 km/h, da pista da base de Payerne, aproveitando um dia radiante.

As células fotovoltaicas do Solar Impulse alimentam quatro motores elétricos, com potência de 10 CV cada, e recarregam as baterias de lítio polímero de 400 kg.

O aparelho demonstrou funcionar bem durante o dia, com um primeiro voo de sucesso em 7 de abril e outros 10 desde então.

"O objetivo de voar sem combustível é mostrar que podemos ser muito menos dependentes da energia fóssil do que se acredita", destacou Piccard.

A intensidade do sol era tamanha na quarta-feira que o piloto pôde apagar parte do dispositivo que carrega das baterias.

No entanto, na última hora do dia o avião voo muito rápido, impulsionado por forte vento, o que impediu de carregá-las completamente.

Na tarde de quarta, os organizadores decidiram continuar com o voo durante a noite, ao considerar que as baterias estavam suficientemente carregadas para aguentar até o amanhecer de quinta-feira.

Para o diretor de voo, Claude Nicollier, foi "um voo magnífico, melhor que o previsto".

O voo também foi acompanhado pela Federação Internacional Aeronáutica (FIA), que registra os recordes da aviação.

Uma primeira tentativa foi cancelada na quinta-feira passada uma hora antes da partida prevista por causa de uma avaria num componente eletrônico.

Depois desse primeiro êxito, a equipe do Solar Impulse, formada por 70 pessoas, espera construir um segundo modelo para dar a volta ao mundo em cinco etapas, com início previsto para 2013 ou 2014.

(Com informações da AFP e EFE)

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