Astrônomos descobrem estrelas nascidas logo após o Big Bang

Galáxia de quando o Universo tinha menos de 1 bilhão de anos, avistada pelo Hubble, contém as estrelas mais antigas já encontradas

iG São Paulo |

HST/Nasa-ESA
O aglomerado de galáxias Abell 383, que concentra a luz de estrelas distantes
Usando o poder que a gravidade tem de focalizar a luz das estrelas, astrônomos descobriram uma galáxia distante, cujos astros são os mais antigos já encontrados. O resultado ajuda a entender melhor os estágios iniciais da evolução do cosmo.

“Descobrimos uma galáxia distante que começou a formar estrelas apenas 200 milhões de anos após o Big Bang”, a grande explosão que originou o cosmo, explica, por meio de nota, o pesquisador Johan Richard, principal autor do novo estudo. “Isso representa um desafio para as teorias a respeito da formação e evolução das galáxias nos primeiros anos do Universo”.

Ainda de acordo com Richard, a descoberta pode ajudar a explicar como a “neblina de hidrogênio” que preenchia o espaço no Universo primitivo acabou se dissipando.

A equipe do cientista avistou a galáxia em imagens recentes obtidas pelo Telescópio Espacial Hubble. A descoberta, depois, foi confirmada por outro observatório orbital, o Spitzer, e avaliada pelo Observatório Keck, baseado num vulcão do Havaí.

A galáxia distante aparece do outro lado de um aglomerado de galáxias chamado Abell 383, cuja gravidade desvia raios de luz, como uma lente de aumento. O alinhamento casual entre a galáxia, o aglomerado e a Terra amplifica a concentração da luz distante que chega até nós, permitindo as observações.

A imagem da galáxia obtida pelos astrônomos é de quando o Universo tinha 950 milhões de anos. Mas ela contém muitas estrelas antigas, que devem ter se formado quando o cosmo tinha apenas 200 milhões de anos. “A galáxia é feita de estrelas surpreendentemente antigas”, disse, também por meio de nota, o coautor Eiichi Egami.

A descoberta pode ajudar a explicar como o Universo ficou transparente para a luz ultravioleta durante seu primeiro bilhão de anos – a idade atual do cosmo é estimada em pouco menos de 13 bilhões de anos.

Nos primeiros anos do Universo, uma neblina de hidrogênio preenchia o espaço, e esse gás bloqueia a passagem da radiação ultravioleta. Alguma fonte de energia tem de ter afetado o gás, para que ele se tornasse transparente para esse tipo de luz. Estrelas muito antigas, como as recém-descobertas, podem ter desempenhado essa função.

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