Astrônomos afirmam ter descoberto galáxia mais distante

Telescópio Hubble captou galáxia situada a cerca de 13,2 bilhões de anos-luz da Terra

iG São Paulo |

NASA
A galáxia recém-encontrada, batizada de UDFj-39546824, foi achada em uma minúscula área do céu denominada Campo Ultra Profundo do Hubble
Um grupo de astrônomos descobriu a que poderia ser a galáxia mais distante detectada até o momento, situada a cerca de 13,2 bilhões de anos-luz, segundo estudo publicado pela revista científica "Nature".

A minúscula mancha de luz, flagrada pelo telescópio orbital Hubble, levou 13,2 bilhões de anos para chegar à Terra, o que significa que a galáxia nasceu cerca de 480 milhões de anos após o "Big Bang" que criou o cosmos.Segundo os cientistas, é provável que haja galáxias mais antigas, mas só serão detectadas com sensores de nova geração a bordo do sucessor do Hubble.

"Estamos nos aproximando das primeiras galáxias, que achamos que foram formadas entre 200 e 300 milhões de anos depois do Big Bang", ressaltou Garth Illingworth, professor de astronomia e astrofísica da Universidade da Califórnia e um dos autores do estudo.

Em sua pesquisa, Illingworth e Rychard Bouwens, da Universidade de Leiden (Holanda), utilizaram dados reunidos pela câmara Wide Field Camera 3 (WFC3) do Hubble.

Com eles, os astrônomos observaram as mudanças que se produziram nas galáxias de 480 a 650 milhões de anos depois do "Big Bang".

A equipe observou que a taxa de nascimento das estrelas no universo aumentou cerca de dez vezes durante esse período de 170 milhões de anos, o que Illingworth considerou um "aumento assombroso em um período de tempo tão curto, somente 1% da idade atual do universo".

Os astrônomos também registraram mudanças significantes no número de galáxias detectadas.

"Nossas buscas anteriores tinham encontrado 47 galáxias quando o universo tinha cerca de 650 milhões de anos", disse Illingworth, quem acrescentou que "o universo está mudando muito rapidamente em um período de tempo muito curto".

Por sua vez, Bouwens afirmou que os resultados dos estudos são consistentes com a imagem hierárquica da formação das galáxias, segundo a qual estas cresceram e se uniram sob a influência gravitacional da matéria escura.

Para chegar à nova descoberta, os astrônomos calcularam a distância de um objeto no espaço com base em seu "deslocamento rumo ao vermelho", fenômeno que ocorre quando a radiação eletromagnética - normalmente a luz visível - que se emite de um objeto tende ao vermelho no final do espectro.

Sua medida é considerada pela comunidade astronômica internacional como o procedimento mais confiável para calcular distâncias espaciais.

A galáxia recém-descoberta alcançou um nível provável de "redshift" (desvio rumo ao vermelho) de 10,3 pontos.

Os especialistas acrescentaram que a galáxia em questão é pequena se for comparada às enormes já vistas no universo, como a Via Láctea, pelo menos 100 vezes maior.

Desvio de vermelho
Astrônomos que medem a idade da luz estelar buscam algo chamado desvio do vermelho: quanto mais a luz viaja, mais longo e mais vermelho é o seu comprimento de onda.

Assim, uma grande quantidade de desvio para o vermelho indica que o objeto é velho porque a luz que emitiu levou bilhões de anos para atravessar o universo.

A galáxia recém-encontrada, batizada de UDFj-39546824, foi achada em uma minúscula área do céu denominada Campo Ultra Profundo do Hubble durante 87 horas de varreduras em 2009 e 2010.

Seus descobridores calculam seu desvio para o vermelho em impressionantes 10,3, cifra que a torna muito mais velha do que o registro anterior existente de antiguidade de uma galáxia, de 8,6, anunciada por uma equipe internacional de cientistas em outubro passado.

"Este resultado está no limite das nossas capacidades, mas levamos meses fazendo testes para confirmá-lo, portanto agora nos sentimos muito confiantes", declarou Illingworth em um comunicado.

Para sua antiguidade, esta remota galáxia é pequena. A nossa Via Láctea, por exemplo, é 100 vezes maior.

As observações também encontraram outras três galáxias com desvios para o vermelho superiores a 8,3.

Segundo o estudo, colocadas juntas, estas descobertas sugerem que as galáxias passaram por uma mudança dramática entre 480 e 650 milhões de anos, depois do Big Bang.

Durante estes 170 milhões de anos, a taxa de nascimento estelar no universo aumentou dez vezes.

"Este é um aumento impressionante em um período tão curto, correspondente a apenas 1% da idade atual do universo", destacou Illingworth.

As estrelas e as galáxias se multiplicam e isto sustenta teorias de que a formação galáctica é forjada pela atração gravitacional de um elemento ainda pouco conhecido, a matéria negra.

As observações foram feitas com a nova Câmera de Campo de Visão Amplo 3, instalada no telescópio Hubble por astronautas da Nasa em missão celebrada em maio passado.

A Câmera de Campo de Visão Amplo aumentou em pelo menos 30 vezes a sensibilidade de desvio para o vermelho em comparação com o equipamento anterior do telescópio.

Mas um desvio para o vermelho de 10,3 provavelmente está no limite de sua sensibilidade. Para mergulhar ainda mais no tempo, os astrônomos precisarão do Telescópio Espacial James Webb, que a Nasa espera lançar em 2014. 

(Com informações da EFE e APF)

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