Assessores de Obama deixam espaço para fazer concessões na saúde

Por Steve Holland e Rachelle Younglai WASHINGTON (Reuters) - Os principais assessores do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, disseram neste domingo que ele ainda quer uma opção de seguro de saúde governamental na legislação a ser proposta, mas deixaram espaço para uma concessão que poderia desapontar seus apoiadores mais liberais.

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Antes de um importante discurso de Obama sobre saúde na noite de quarta-feira, os assessores retrataram a possibilidade de rever os custos do sistema de saúde norte-americano que somaria US$ 2,5 trilhões depois de um debate tumultuado sobre o assunto no qual Obama perdeu espaço para adversários republicanos.

Obama, diante de uma sessão conjunta do Congresso, vai dar detalhes do que apóia para tentar reconquistar o controle da questão da saúde e tentar aprovar um plano neste ano. Analistas dizem que seus movimentos nos próximos meses serão um teste para sua capacidade de liderança e podem definir seu período na Casa Branca.

Com os crescentes gastos e déficits do governo, decorrentes da luta contra a pior crise econômica desde a Grande Depressão e das herdadas guerras no Iraque e no Afeganistão, os críticos dizem que as reformas de saúde são caras demais.

A questão chave é se Obama estaria disposto a abrir mão de sua "opção pública" -- um plano de saúde governamental preparado para competir com empresas privadas e que pode custar 1 trilhão de dólares.

Democratas liberais, como a presidente da Câmara, Nancy Pelosi, insistem que qualquer plano tem de incluir a opção pública, enquanto os democratas moderados e quase todos os republicanos insistem que não apoiariam essa proposta.

O principal assessor de Obama, David Axelrod, e o porta-voz Robert Gibbs deram indícios do que será o discurso de quarta-feira em entrevistas a programas norte-americanos. Ambos foram pressionados a falar sobre a opção pública.

Na TV NBC, Axelrod disse que Obama acredita que um plano administrado pelo governo é uma parte importante da reforma, de modo a estimular a competição e custos mais baixos. No entanto, disse que a opção pública "não deve definir todo o debate sobre saúde".

Gibbs, na ABC, declarou que Obama quer uma opção pública incluída na revisão dos recursos para a saúde, mas se recusou a responder a uma pergunta sobre se isso é essencial para o apoio do presidente às leis de saúde que serão propostas.

"Bem, eu duvido que vamos entrar em ameaças pesadas na quarta-feira", disse, quando perguntado se Obama bloquearia uma lei em que não haja opção pública. "Vamos falar sobre o que pudermos porque estamos perto de fazer."

(Reportagem adicional de Kim Dixon)

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