As vantagens de ser promíscua

Estudo com besouros indica que maior variedade de parceiros sexuais evita defeitos genéticos

Alessandro Greco, especial para o iG |

Science/AAAS
Casal de besouros castanhos em pleno cruzamento: fêmea seleciona esperma de macho saudável
Uma mulher com mais de um parceiro geralmente desencadeia reações inflamadas na comunidade humana. No mundo animal, porém, a história é diferente. Para muitas espécies, uma fêmea ter mais de um parceiro pode ser fundamental para a sobrevivência da comunidade como um todo. A questão é entender porque.

Um estudo publicado nesta quinta-feira (22) na revista Science dá um passo nesta direção. Liderado por Matthew Gage, da Universidade de West Anglia, no Reino Unido, a pesquisa analisou fêmeas de besouro castanho, o T ribolium castaneum , e chegou à conclusão de que elas são promíscuas quando os machos são geneticamente relacionados a elas – uma situação na qual há um risco aumentado de gerar um descendente geneticamente defeituoso. “As fêmeas dessas populações conseguiram aumentar em cerca de 50% o nível sucesso reprodutivo, ao acasalarem com cinco machos ao invés de um”, afirmou Gage ao iG .

Basicamente as fêmeas desta espécie têm um mecanismo que permite “filtrar” o esperma de parceiros geneticamente muito parecidos. Ou seja: todos aqueles que ao cruzar com ela podem gerar descendentes defeituosos e que provavelmente não terão, por sua vez, descendentes férteis. Com isso, as fêmeas podem escolher o esperma que é mais viável para a reprodução e para gerar descendentes férteis. Esses dados ajudam a explicar os benefícios da poliandria (união de uma fêmea a mais de um macho) e por que a natureza promove esse fenômeno em diferentes espécies.

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Os cientistas não sabem ainda, porém, como este mecanismo funciona nos besouros. “Agora estamos buscando entender como exatamente elas evitam o esperma incompatível. Como apenas 4% de uma simples ejaculação é guardada para fertilização nesta espécie, elas tem uma grande oportunidade de escolher esperma de machos mais compatíveis seja via cópulas mais longas, um número maior delas ou mediante mecanismos internos”, explicou Gage.

(Com reportagem de Denise Barros)

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