Arqueólogos encontram casa de 11500 anos no Alasca

Restos mortais de criança cremada e vestígios de habitação temporária revelam novas perspectivas sobre a vida na Era do Gelo

iG São Paulo |

Ben A. Potter
Escavações arqueológicas encontraram indícios sobre a vida doméstica dos primeiros habitantes da América
Arqueólogos descobriram indícios sobre a vida doméstica dos primeiros habitantes da América, há 11.500 anos. Uma escavação arqueológica no Alasca revelou restos mortais de uma criança de três anos, que foi cremada durante seu funeral, o que traz nova compreensão sobre o modo de vida do homem durante a última glaciação, que ocorreu entre 110 mil e 10 mil anos atrás.

De acordo com especialistas, ao contrário de outras escavações, que revelaram cabanas como forma de moradia nômade, o sítio arqueológico em Upper Sun River, no Alasca Central, mostrou uma casa que teria sido usada durante o verão por um pequeno grupo que incluía mulheres e crianças e que se alimentava de peixes, pássaros e pequenos mamíferos encontrados na região.

“Antes desta descoberta, nós sabíamos apenas que o homem do gelo praticava a caça de bisões e alces com o auxílio de artefatos sofisticados durante a maior parte do tempo, mas a maioria dos sítios que foram estudados era de campos de caça”, disse Ben Potter da Universidade do Alasca Fairbanks, que publicou seu estudo na edição desta semana da revista científica Science .

Os vestígios da casa e da cremação da criança fornecem novos indícios sobre os rituais fúnebres dos povos da Idade do Gelo. Após a cremação, a criança foi colocada em uma cova de 130 centímetros por 80 centímetros. A relativa falta de artefatos em volta da cova sugere que o grupo abandonou a casa logo após o evento.

Os pesquisadores descrevem que a cova continha não só os restos mortais da criança – eles estimam que 20% do esqueleto permaneceu intacto após a cremação – mas também restos de animais e plantas. Provavelmente, a criança morreu antes de ser cremada em uma cova no meio da casa, mas isto ainda não está claro. Como a criança ocupava a maior parte da cova, os arqueólogos acreditam que ela não foi originalmente cavada para ser uma sepultura -- ela provavelmente era usada para outros propósitos, como fogareiro ou depósito de lixo.

De acordo com Potter, os ossos da criança são as primeiras provas de comportamento associado a um evento fúnebre individual; "A área reflete muitos comportamentos diferentes nunca antes visto nesta parte do mundo durante a última Era Glacial, e graças à sua preservação, podemos explorar as formas de vida desses povos antigos em outra maneira", disse Potter.

Na natureza selvagem
Tanto o sepultamento quanto a casa de pedra são os mais antigos vestígios deste tipo encontrados na América do Norte, segundo os pesquisadores. Vale lembrar que vestígios de sepultamento neste período, ainda mais de uma criança, são muito raros. Na verdade, a descoberta foi feita por acaso, enquanto a equipe investigava um sítio arqueológico mais antigo na mesma região – de 13.200 anos. Estes são os primeiros habitantes das Américas, que chegaram ao continente vindos da Ásia na época em que havia um corredor de gelo entre os dois continentes.

    Leia tudo sobre: arqueologiaalascaera do gelo

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG