Pesando cerca de 900 quilos, o Curiosity parte em novembro, mas não levará a câmera 3D projetada com a ajuda de James Cameron

O robô Curiosity, a mais complexa máquina já criada para o estudo do planeta Marte, tem o tamanho de um pequeno automóvel
JPL NASA/Divulgação
O robô Curiosity, a mais complexa máquina já criada para o estudo do planeta Marte, tem o tamanho de um pequeno automóvel
Os engenheiros das Nasa estão dando os toques finais no mais ambicioso robô já preparado para explorar Marte, antes de despachá-lo para Flórida, da onde será lançado ainda neste ano.

Um pequeno exército de técnicos, vestindo trajes especiais para não contaminar o equipamento, luta contra o relógio numa sala estéril do laboratório de Propulsão a Jato (JPL) na montagem da máquina, chamada Curiosity, e no teste de seus instrumentos científicos.

A missão de US$ 2,5 bilhões (R$ 4 bilhões) deveria ter sido lançada em 2009, mas dificuldades durante a construção forçaram o atraso de dois anos.

Com lançamento previsto para o fim de novembro, engenheiros vêm se ocupando com o teste dos diversos sistemas na sonda – ao mesmo tempo em que tentam garantir que nenhum contaminante terrestre pegue uma carona até Marte.

O robô, movido com energia nuclear, tem o tamanho de um pequeno veículo utilitário e analisará rochas e solo para determinar se o planeta vermelho já teve um ambiente capaz de sustentar vida. Ele levará os mais avançados instrumentos já enviados à superfície marciana, incluindo um laser capaz de vaporizar amostras de rocha à distância, para que os gases liberados possam ser analisados.

Para o desespero de alguns fãs da exploração espacial, o Curiosity não levará a câmera 3D de alta resolução que o diretor de Avatar, James Cameron, estava ajudando a Nasa a construir. O projeto foi abandonado depois que a agência espacial concluiu que não haveria tempo de testar a lente de zoom da câmera antes do lançamento.

Cientistas esperam que o Curiosity avance nas descobertas já feitas pelos robôs Spirit e Opportunity, que encontraram provas geológicas da presença de água em Marte, no passado, e da estação Phoenix, que encontrou gelo e neve no pólo norte do planeta.

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O caminho do Curiosity rumo ao lançamento vem sendo acidentado. Foi preciso redesenhar o escudo de calor do robô, e consertar defeitos em seu paraquedas. A Nasa também enfrentou atrasos por parte de fornecedores, o que afetou o prazo de lançamento e o custo da missão.

Parte do que faz o Curiosity um desafio técnico tão grande é o fato de a Nasa jamais ter construído um robô móvel tão complexo.

Embora a viagem até Marte e a entrada na atmosfera sejam semelhantes aos enfrentados por missões anteriores, a Nasa está testando uma tecnologia inédita para o pouso.


Em vez de usar airbags para quicar no solo até parar, os 900 quilos do Curiosity serão descidos gentilmente, por meio de um guindaste voador.

A Nasa começará a enviar partes do robô para Cabo Canaveral a partir do mês que vem. A janela de lançamento, de três semanas, abre-se em 25 de novembro.

A preparação para o lançamento envolve uma grande campanha de divulgação.

Em outubro de ano passado, a Nasa instalou uma câmera sobre a sala estéril, o que permite que qualquer pessoa ligada à internet assista, ao vivo, a construção do robô. Não há áudio simultâneo, mas a agência espacial realiza bate-papos periódicos para explicar o que se passa à audiência. O Curiosity também tem uma conta no Twitter, com mais de 29.000 seguidores.

(com informações da AP)

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